No Quarto da Valdirene – Crônica de Fernando Sabino

Mal ele entrou em casa, a mulher o tomou pelas mãos, ansiosa: – Estava aflita para você chegar. E sussurrou, apontando dramaticamente para os lados da cozinha: – Tem um homem no quarto da Valdirene. Sacudiu a cabeça com irritação: – Desde o primeiro dia eu achei que essa menina não era boa coisa. Ela… Read More »

Parábola do homem rico – Texto de Vinícius de Moraes

Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 31/12/1969 Todos são poetas à sua maneira, mas é bem possível que, se todos o fossem realmente, não houvesse mais lugar para a poesia. Porque a poesia é a amante espiritual dos homens, aquela com quem eles traem a rotina do cotidiano. A poesia restitui-lhes o que a vida… Read More »

Para uma garota de quinze anos – Crônica de Lourenço Diaféria

Nós a trouxemos para casa logo nos primeiros dias do mês de novembro, faz quinze anos. Tinha o rosto miúdo, um tufo enroladinho de cabelos pretos, e os olhos já prometiam ser o que são hoje: janelas escancaradas sob cílios longos. Chorava nas horas certas. Costumava tomar a última mamadeira da noite, ou largar o… Read More »

O camelô do amor – Texto de Vinícius de Moraes

Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 31/12/1969 Parai tudo o que estais fazendo, homens de gravata e sem gravata, funcionários burocráticos e deambulantes, mercadores e fregueses, professores e alunos, íncubos e súcubos – e escutai o que eu vos tenho a dizer. Chegai-vos a mim e vinde ver toda a beleza que estou vendendo a… Read More »

A maneira petista de conciliar – Artigo de Elio Gaspari

Sempre que o PT não tem o que dizer a respeito de seja lá o que for, responde que o problema só será resolvido com uma reforma política. Foi assim em 2005, quando estourou o mensalão, e em junho de 2013, quando o partido assustou-se com o povo na rua. Naquela ocasião, propuseram uma Constituinte… Read More »

O gramático – Texto de Humberto de Campos

Alto, magro, com os bigodes grisalhos a desabar, como ervas selvagens pela face de um abismo, sobre os cantos da funda boca munida de maus dentes, o professor Arduíno Gonçalves era um desses homens absorvidos completamente pela gramática. Almoçando gramática, jantando gramática, ceando gramática, o mundo não passava, aos seus olhos, de um enorme compêndio… Read More »