O espartilho – Conto de Lygia Fagundes Telles

Tudo era harmonioso, sólido, verdadeiro. No princípio. As mulheres, principalmente as mortas do álbum, eram maravilhosas. Os homens, mais maravilhosos ainda, ah, difícil encontrar família mais perfeita. A nossa família, dizia a bela voz de contralto da minha avó. Na nossa família, frisava, lançando em redor olhares complacentes, lamentando os que não faziam parte do… Read More »

Missa do Galo – Conto de Lygia Fagundes Telles

(Variações sobre o mesmo tema) Chegamos a ficar algum tempo — não posso dizer quanto — inteiramente catados. Missa do Galo, MACHADO DE ASSIS Encosto a cara na noite e vejo a casa antiga. Os móveis estão arrumados em círculo, favorecendo as conversas amenas, é uma sala de visitas. O canapé, peça maior. O espelho.… Read More »

A confissão de Leontina – Conto de Lygia Fagundes Telles

Já contei esta história tantas vezes e ninguém quis me acreditar. Vou agora contar tudo especialmente pra senhora que se não pode ajudar pelo menos não fica me atormentando como fazem os outros. É que eu não sou mesmo essa uma que toda gente diz. O jornal me chama de assassina ladrona e tem um… Read More »

Não te esqueças de mim – Fagundes Varela

Não te esqueças de mim, quando erradia Perde-se a lua no sidéreo manto; Quando a brisa estival roçar-te a fronte, Não te esqueças de mim, que te amo tanto. Não te esqueças de mim, quando escutares Gemer a rola na floresta escura, E a saudosa viola do tropeiro Desfazer-se em gemido de tristura. Quando a… Read More »

Instruções de Bordo – Ana Cristina Cesar

Pirataria em pleno ar. A faca nas costelas da aeromoça. Flocos despencando pelos cantos dos lábios e casquinhas que suguei atrás da porta. Ser a greta, o garbo, a eterna liu-chiang dos postais vermelhos. Latejar os túneis lua azul celestial azul. Degolar, atemorizar, apertar o cinto o senso a mancha roxa na coxa: calores lunares,… Read More »

Protuberância – Ana Cristina Cesar

Este sorriso que muitos chamam de boca É antes um chafariz, uma coisa louca Sou amativa antes de tudo Embora o mundo me condene Devo falar em nariz(as pontas rimam por dentro) Se nos determos amanhã Pelo menos não haverá necessidades frugais nos espreitando Quem me emprestar seu peito ma madrugada E me consolar, talvez… Read More »

Os Carnavais de Antigamente – Crônica de Rubem Braga

Para responder, há tempos, a uma enquete de jornal, fiz um esforço para apurar minhas primeiras lembranças carnavalescas. Vi-me a mim mesmo e a meu irmão» muito pequenos mas de calças compridas, uma faixa vermelha na cintura, com bigodes e costeletas pintados a rolha queimada… De pouco mais me lembro, mas creio que éramos nada… Read More »

A Russa do Maneco – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Todos ficaram muito intrigados quando o Maneco, logo o Maneco, apareceu com uma russa. Em pouco tempo “a russa do Maneco” se tornou o assunto principal da turma. Todas as conversas, cedo ou tarde, acabavam na frase “E a russa do Maneco?” e daí em diante não se falava em outra coisa. E, claro, quando… Read More »

A Dança da Maça – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Antônio chegou na hora marcada. Ainda tinha a chave do apartamento, mas preferiu bater. Luiza abriu a porta. Os dois se cumprimentaram secamente. – Oi. – Oi. Antônio fez um gesto indicando os dois homens que estavam com ele. Um senhor e um mais moço. – Este é o seu Molina e este… Como é… Read More »