A Rainha das Microondas – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Sérgio convidou Cláudia para jantar e disse que ele mesmo faria a comida. – O meu nhoque é famoso. – Quero só ver, riu a Cláudia. – Quarta-feira? – Quarta-feira. Na quarta-feira, Sérgio abriu a porta para Cláudia de avental. Explicou que não, não acabara de decapitar uma galinha. O sangue no avental não era… Read More »

A Mulher do Vizinho – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Sérgio abriu a porta e era a mulher do vizinho. A fantástica mulher do vizinho. A fantástica mulher do vizinho dizendo “Oi”. A fantástica mulher do vizinho perguntando, depois do “Oi”, se podia pegar uma toalha que tinha voado da sacada deles. “Sabe, o vento” – para a sacada dele. – Entre, entre, disse o… Read More »

A invenção do milênio – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Qual foi a maior invenção do milênio? Minha opinião mudou com o tempo. Já pensei que foi o sorvete, que foi a corrente elétrica, que foi o antibiótico, que foi o sufrágio universal, mas hoje ― mais velho e mais vivido ― sei que foi a escada rolante. Para muitas pessoas, no entanto, a invenção… Read More »

A Famosa Samanta – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

– Quer dizer que eu finalmente vou conhecer a famosa Samanta… ― disse Gustavo. – Você vai amar a Samanta, Gu! ― disse Suzaninha. Suzaninha não parara de sorrir desde que recebera o telefonema da irmã dizendo que chegaria no dia seguinte e ficaria com eles. Samanta não era apenas sua irmã mais velha. Era… Read More »

A Cigana Búlgara – Crônica de Luís Fernando Veríssimo

A família era tão grande que, quando contaram ao dr. Parreira que seu sobrinho Geraldo tinha viajado para a Europa, ele precisou ser lembrado: qual dos sobrinhos era, mesmo, o Geraldo? – O Geraldinho da Nena. Largou tudo e foi para a Europa. O dr. Parreira sorriu. Desde pequeno o Geraldinho, filho único de mãe… Read More »

Relíquia íntima – Soneto de Machado de Assis

Ilustríssimo, caro e velho amigo,Saberás que, por um motivo urgente,Na quinta-feira, nove do corrente,Preciso muito de falar contigo. E aproveitando o portador te digo,Que nessa ocasião terás presente,A esperada gravura de patenteEm que o Dante regressa do Inimigo. Manda-me pois dizer pelo bombeiroSe às três e meia te acharás postadoJunto à porta do Garnier livreiro:… Read More »

A Serenata – Poema de Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerâniosele viria com boca e mãos incríveistocar flauta no jardim.Estou no começo do meu desesperoe só vejo dois caminhos:ou viro doida ou santa.Eu que rejeito e exprobroo que não for natural como sangue e veiasdescubro que estou chorando todo dia,os cabelos entristecidos,a pele assaltada de indecisão.Quando ele vier, porque… Read More »