Não aprendo a lição – Poema de Thiago de Mello

A lição de conviver,senão de sobreviverno mundo feroz dos homens,me ensina que não convémpermitir que o tempo injustoe a vida iníqua me impeçamde dormir tranquilamente.Pois sucede que não durmo.Frente à verdade feridapelos guardiães da injustiça,ao escárnio da opulênciae o poderio douradocujo esplendor se alimentada fome dos humilhados,o melhor é acostumar-se,o mundo foi sempre assim.Contudo, não… Read More »

Para os que virão – Poema de Thiago de Mello

Como sei pouco, e sou pouco,faço o pouco que me cabeme dando inteiro.Sabendo que não vou vero homem que quero ser.Já sofri o suficientepara não enganar a ninguém:principalmente aos que sofremna própria vida, a garrada opressão, e nem sabem.Não tenho o sol escondidono meu bolso de palavras.Sou simplesmente um homempara quem já a primeirae desolada… Read More »

Os estatutos do homem (Ato Institucional Permanente) – Thiago de Mello

A Carlos Heitor Cony Artigo I Fica decretado que agora vale a verdade.agora vale a vida,e de mãos dadas,marcharemos todos pela vida verdadeira. Artigo II Fica decretado que todos os dias da semana,inclusive as terças-feiras mais cinzentas,têm direito a converter-se em manhãs de domingo. Artigo III Fica decretado que, a partir deste instante,haverá girassóis em… Read More »

Menina – Conto de Ivan Ângelo

“Oh, ela sabia cada vez mais.” (Clarice Lispector, “Perto do coração selvagem”). “Sentar-se, concentrada, contar até um número, por exemplo dez, ou doze, e esperar agudamente um acontecimento importante, era seu exercício mais impreciso, mais despido de maldade, porque ela não escolhia o que ia acontecer, só fazia acontecer. Havia outros, menos intensos: gritar “aaaa”… Read More »

A Jesus Cristo Nosso Senhor – Soneto de Gregório de Matos

Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,Da vossa alta clemência me despido;Porque, quanto mais tenho delinquido,Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado,A abrandar-vos sobeja um só gemido:Que a mesma culpa, que vos há ofendido,Vos tem para o perdão lisonjeado. Se uma ovelha perdida e já cobradaGlória tal e prazer… Read More »

À cidade da Bahia – Gregório de Matos

Triste Bahia! ó quão dessemelhanteEstás e estou do nosso antigo estado!Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,Rica te vi eu já, tu a mi abundante.A ti trocou-te a máquina mercante,Que em tua larga barra tem entrado,A mim foi-me trocando, e tem trocado,Tanto negócio e tanto negociante.Oeste em dar tanto açúcar excelentePelas drogas inúteis,… Read More »