A Formiga Má – fábula de Monteiro Lobato

By | May 14, 2013

Já houve, entretanto, uma formiga má que não soube compreender a cigarra e com dureza a repeliu de sua porta.

Foi isso na Europa, em pleno inverno, quando a neve recobria o mundo com seu cruel manto de gelo.

A cigarra, como de costume, havia cantado sem parar o estio inteiro e o inverno veio encontrá-la desprovida de tudo, sem casa onde abrigar-se nem folinha que comesse.

Desesperada, bateu à porta da formiga e implorou – emprestado, notem! – uns miseráveis restos de comida. Pagaria com juros altos aquela comida de empréstimo, logo que o tempo o permitisse.

Mas a formiga era uma usurária sem entranhas. Além disso, invejosa. Como não soubesse cantar, tinha ódio à cigarra por vê-la querida de todos os seres.

– Que fazia você durante o bom tempo?

– Eu… eu cantava!…

– Cantava? Pois dance agora, vagabunda! – e fechou-lhe a porta no nariz.

Resultado: a cigarra ali morreu entanguidinha; e quando voltou a primavera o mundo apresentava um aspecto mais triste. É que faltava na música do mundo o som estridente daquela cigarra, morta por causa da avereza da formiga. Mas se a usurária morresse, quem daria pela falta dela?

Moral:

Os artistas, poetas, pintores e músicos são as cigarras da humanidade.

 



 

Comments

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6 thoughts on “A Formiga Má – fábula de Monteiro Lobato

  1. Rafael Aguiar

    Faltou uma linha no final:

    “Os artistas – poetas, pintores, músicos – são as cigarras da humanidade.”

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  2. Anonymous

    Caramba em Harrison… se Portugues ta certinho em cara.. 10 pra vc

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