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Feb 06

Bruno Lichtenstein – Cronica de Rubem Braga

18 de Julho de 1939 Foi preso o menino Bruno Lichtenstein, que arrombou a Faculdade de Medicina. O menino Bruno Lichtenstein não é arrombador profissional. Apenas acontece que o menino Bruno Lichtenstein tem um amigo, e esse amigo é um cachorro, e esse cachorro ia ser trucidado cientificamente, para estudos, na Faculdade de Medicina. O …

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Feb 06

Decadência de dois grandes homens – Conto de Machado de Assis

Os antigos freqüentadores do Café Carceller hão de recordar-se de um velho que ali ia todas as manhãs às oito horas, almoçava, lia os jornais, fumava um charuto, dormia cerca de meia hora e saía. Estando de passagem no Rio de Janeiro, aonde viera para tratar questões políticas com os ministros, atirei-me ao prazer de …

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Jan 31

O aniversário – Plínio Marcos

O Zé Mané levava uma vida de lascar. Nem de leve pegava maré mansa. Seu trampo era pesado paca. Das oito da matina às seis da tarde debaixo de sacaria. Uma puxeta de entortar qualquer patuá. E o salário, claro que era o mínimo. Daí, já viu. Com a vida custando os olhos da cara, …

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Jan 31

Alvinho, bom palpite – Plínio Marcos

O Alvinho encarava um batente que não era mole. Se virava mais que charuto em boca de bêbado por uma grana muito mixuruca, que mal dava pra ele escorar os repuxos. Coisa que não é mole, hoje em dia, com a vida custando os olhos da cara como anda. Muito nego se abilola. Principalmente se …

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Jan 31

Bar Don Juan – Crônica de Antonio Callado

Quando estacionou diante do edifício, na Lagoa, Karin já estava na calçada à sua espera, sapatos de corda, um impermeável por cima da roupa de banho, e, no bolso, um frasco de prata com vodca. Escandalizou-se ao ver que Mansinho não vinha de calção de banho por baixo da capa. — Você não vai cair …

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Jan 16

Cidades mortas – Conto de Monteiro Lobato

A quem em nossa terra percorre tais e tais zonas, vivas outrora, hoje mortas, ou em via disso, tolhidas de insanável caquexia, uma verdade, que é um desconsolo, ressurte de tantas ruínas: nosso progresso é nômade e sujeito a paralisias súbitas. Radica-se mal. Conjugado a um grupo de fatores sempre os mesmos, reflui com eles …

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Jan 11

Delicado – Conto de Nelson Rodrigues

Primeiro, o casal teve sete filhas! O pai, que se chamava Macário, coçava a cabeça, numa exclamação única e consternada: — Papagaio! Era um santo e obstinado homem. Sua utopia de namorado fora um simples e exíguo casal de filhos, um de cada sexo. Veio a primeira menina, mais outra, uma terceira, uma quarta e …

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Jan 08

Colheita – Conto de Nélida Piñon

Um rosto proibido desde que crescera. Dominava as paisagens no modo ativo de agrupar frutos e os comia nas sendas minúsculas das montanhas, e ainda pela alegria com que distribuía sementes. A cada terra a sua verdade de semente, ele se dizia sorrindo. Quando se fez homem encontrou a mulher, ela sorriu, era altiva como …

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Jan 03

E o seu nível de corrupção, como vai? – Crônica de Millôr Fernandes

Dizem por ai que todo homem tem seu preço. Há quem vá mais longe afirmando que alguns homens são vendidos a preço de banana. Sempre esperei, na vida, o dia da Grande Corrupção, e confesso, decepcionado, que ele nunca veio. A mim só me oferecem causas meritórias, oportunidades de sacrifício, salvações da Pátria ou pura …

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Jan 03

Ladrões e como tratá-los – Crônica de Millôr Fernandes

Amigo meu surpreendeu um ladrão em casa. Desceu pé ante pé a escada e acendeu a luz da sala, rapidamente. O ladrão, ao ver a luz acesa, saiu correndo. Passou pela porta, saltou um muro, ganhou a rua. Meu amigo correu atrás do ladrão até a porta da rua e, para garantir-se da fuga do …

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