Category Archives: Alcântara Machado

Troque seu celular por uma galinha gorda – Texto de Xico Sá

O glorioso inventor da ansiedade, Alexander Graham Bell (1847-1922), deve se arrepender até hoje da sua patente telefônica. (Como Santos Dumont, dândi brasileiro em Paris, que maldisse do seu próprio brinquedo ao vê-lo nos céus da guerra). Nestes tempos em que celular virou brinco, eternamente colado às “oiças” de madames, de moçoilas, de executivos e… Read More »

Amor e Sangue – conto de Alcântara Machado

Sua impressão: a rua é que andava, não ele. Passou entre o verdureiro de grandes bigodes e a mulher de cabelo despenteado. – Vá roubar no inferno, Seu Corrado! Vá sofrer no inferno, Seu Nicolino! Foi o que ele ouviu de si mesmo. – Pronto! Fica por quatrocentão. – Mas é tomate podre, Seu Corrado!… Read More »

Carmela – conto de Alcântara Machado

Dezoito horas e meia. Nem mais um minuto porque a madama respeita as horas de trabalho. Carmela sai da oficina. Bianca vem ao seu lado. A Rua Barão de Itapetininga é um depósito sarapintado de automóveis gritadores. As casas de modas (AO CHIC PARISIENSE, SÃO PAULO-PARIS, PARIS ELEGANTE) despejam nas calçadas as costureirinhas que riem,… Read More »

A Sociedade – crônica de Alcântara Machado

— Filha minha não casa com filho de carcamano! A esposa do Conselheiro José Bonifácio de Matos e Arruda disse isso e foi brigar com o italiano das batatas. Teresa Rita misturou lágrimas com gemidos e entrou no seu quarto batendo a porta. O Conselheiro José Bonifácio limpou as unhas com o palito, suspirou e… Read More »

A Eloqüência e o Brasileiro – crônica de Alcântara Machado

A eloqüência marca Sloper que nos desgraça é com certeza resultado da preocupação de fazer literatura a muque. Entre nós quase toda a gente pensa que literatura é arrevezamento, ginástica verbal, ilusionismo imaginoso, hipérbole sublime. E devido a isso mesmo há no Brasil muitos cavalheiros que falam mas poucos que dizem. Falam até debaixo d’água.… Read More »