Category Archives: Cecília Meireles

Edmundo, o Céptico – Texto de Cecília Meireles

Naquele tempo, nós não sabíamos o que fosse cepticismo. Mas Edmundo era céptico. As pessoas aborreciam-se e chamavam-no de teimoso. Era uma grande injustiça e uma definição errada. Ele queria quebrar com os dentes os caroços de ameixa, para chupar um melzinho que há lá dentro. As pessoas diziam-lhe que os caroços eram mais duros… Read More »

História de uma letra – Texto de Cecília Meireles

Muita gente me pergunta se deixei de escrever o meu sobrenome com letra dobrada devido à reforma ortográfica; e quando estou com preguiça de explicar, digo que sim. Mas hoje tomo coragem, abalanço-me a confessar a verdade, que talvez não interesse senão aos meus possíveis herdeiros. A verdade nunca é simples, como se imagina. E… Read More »

Lamento do oficial por seu cavalo morto – Poema de Cecília Meireles

Nós merecemos a morte, porque somos humanos e a guerra é feita pelas nossas mãos, pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra, por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens que trazemos por dentro, e ficam sem explicação. Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia, os cálculos do gesto, embora sabendo que somos… Read More »

Chuva com Lembranças – Texto de Cecília Meireles

COMEÇAM a cair uns pingos de chuva. Tão leves e raros que nem as borboletas ainda perceberam, e continuam a pousar, às tontas, de jasmim em jasmim. As pedras estão muito quentes, e cada gôta que cai logo se evapora. Os meninos olham para o céu cinzento, estendem a mão — e vão tratar de… Read More »

Dos cravos roxos – Poema de Cecília Meireles

Esta noite, quando, lá fora, campanários tontos bateram doze vezes o apelo da hora, na minha jarra, onde a água chora, meus dois cravos roxos morreram… Meus dois cravos roxos morreram! Meus dois cravos roxos defuntos, são como beijos que sofreram, como beijos que enlouqueceram porque nunca vibraram juntos… São como a sombra dolorida de… Read More »

Metamorfose – poema de Cecília Meireles

Súbito pássaro dentro dos muros caído, pálido barco na onda serena chegado. Noite sem braços! Cálido sangue corrido. E imensamente o navegante mudado. Seus olhos densos apenas sabem ter sido. Seu lábio leva um outro nome mandado. Súbito pássaro por altas nuvens bebido. Pálido barco nas flores quietas quebrado. Nunca, jamais e para sempre perdido… Read More »