Category: Ferreira Gullar

Mar 28

Quisera ser um gato – Texto de Ferreira Gullar

Fora os fantasmas que me acompanham e me fazem refletir sobre o sentido da vida, vivo eu, neste apartamento, com uma gatinha siamesa. Que é linda, não preciso dizer, mas, além disso, é especial: quase nunca mia e, quando soa a campainha da porta, se arranca. Nem eu sei onde ela se esconde. Ela é, …

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Nov 16

A vida bate – Poema de Ferreira Gullar

Não se trata do poema e sim do homem e sua vida – a mentida, a ferida, a consentida vida já ganha e já perdida e ganha outra vez. Não se trata do poema e sim da fome de vida, o sôfrego pulsar entre constelações e embrulhos, entre engulhos. Alguns viajam, vão a Nova York, …

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Jul 13

Lembrando por lembrar – Artigo de Ferreira Gullar

Li outro dia uma matéria acerca da luta da intelectualidade contra a ditadura militar e, nela, não havia qualquer referência ao Grupo Opinião, que teve papel relevante nessa luta. Não vejo qualquer má-fé nessa omissão, mesmo porque o entrevistado, por sua idade, não poderia ter participado daquela luta, iniciada no mesmo ano do golpe, isto …

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Apr 11

Presença de Clarice – crônica de Ferreira Gullar

Meu primeiro encontro com Clarice Lispector foi numa tarde de domingo na casa da escultora Zélia Salgado, em Ipanema, creio que em 1956. Eu havia lido, quando ainda vivia em São Luís, o seu romance “O Lustre”, que me deixara impressionado pela atmosfera estranha e envolvente, mas a impressão que me causou sua figura de …

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Apr 02

Canção de preferência – poema de Ferreira Gullar

Não quero teus seios túmidos de desejos maternais. Se teus seios são redondos, há muitos outros iguais. Não quero teus lábios úmidos (beijos, carícias, corais). Se teus lábios são vermelhos, existem lábios iguais. Não desejo teus cabelos – lembranças de vendavais – Se teus cabelos são belos, sei de cabelos iguais. Não, não desejo teu …

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Apr 02

Subversiva – poema de Ferreira Gullar

A poesia quando chega não respeita nada. Nem pai nem mãe. Quando ela chega de qualquer de seus abismos desconhece o Estado e a Sociedade Civil infringe o Código de Águas relincha como puta nova em frente ao Palácio da Alvorada. E só depois reconsidera: beija nos olhos os que ganham mal embala no colo …

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Mar 26

Estranheza do Mundo – poema de Ferreira Gullar

Olho a árvore e indago: está aí para quê? O mundo é sem sentido quanto mais vasto é. Esta pedra esta folha este mar sem tamanho fecham-se em si, me repelem. Pervago em um mundo estranho. Mas em meio à estranheza do mundo, descubro uma nova beleza com que me deslumbro: é teu doce sorriso …

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Mar 26

Nova Canção do Exílio – poema de Ferreira Gular

Minha amada tem palmeiras Onde cantam passarinhos e as aves que ali gorjeiam em seus seios fazem ninhos Ao brincarmos sós à noite nem me dou conta de mim: seu corpo branco na noite luze mais do que o jasmim Minha amada tem palmeiras tem regatos tem cascata e as aves que ali gorjeiam são …

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Mar 26

Não-coisa – poema de Ferreira Gullar

O que o poeta quer dizer no discurso não cabe e se o diz é pra saber o que ainda não sabe. Uma fruta uma flor um odor que relume… Como dizer o sabor, seu clarão seu perfume? Como enfim traduzir na lógica do ouvido o que na coisa é coisa e que não tem …

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Mar 26

Sobre o amor – conto de Ferreira Gullar

Houve uma época em que eu pensava que as pessoas deviam ter um gatilho na garganta: quando pronunciasse — eu te amo —, mentindo, o gatilho disparava e elas explodiam. Era uma defesa intolerante contra os levianos e que refletia sem dúvida uma enorme insegurança de seu inventor. Insegurança e inexperiência. Com o passar dos …

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