Category: Manuel Bandeira

Sep 14

Cartas de Meu Avô – Poema de Manuel Bandeira

A tarde cai, por demais Erma, úmida e silente… A chuva, em gotas glaciais, Chora monotonamente. E enquanto anoitece, vou Lendo, sossegado e só, As cartas que meu avô Escrevia a minha avó. Enternecido sorrio Do fervor desses carinhos: É que os conheci velhinhos, Quando o fogo era já frio. Cartas de antes do noivado… …

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Jul 12

Meninos carvoeiros – poema de Manuel Bandeira

Os meninos carvoeiros Passam a caminho da cidade. — Eh, carvoero! E vão tocando os animais com um relho enorme. Os burros são magrinhos e velhos. Cada um leva seis sacos de carvão de lenha. A aniagem é toda remendada. Os carvões caem. (Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com …

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Jul 10

Rondó dos Cavalinhos – poema de Manuel Bandeira

Os cavalinhos correndo, E nós, cavalões, comendo… Tua beleza, Esmeralda, Acabou me enlouquecendo. Os cavalinhos correndo, E nós, cavalões, comendo… O sol tão claro lá fora E em minhalma — anoitecendo! Os cavalinhos correndo, E nós, cavalões, comendo… Alfonso Reys partindo, E tanta gente ficando… Os cavalinhos correndo, E nós, cavalões, comendo… A Itália falando …

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Jul 10

Vou-me Embora pra Pasárgada – poema de Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a …

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Jul 10

O último poema – Manuel Bandeira

Assim eu quereria meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação. …

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