Category: Poesia

Sep 13

Verão – Poema de Gilka Machado

A Primavera veio e se foi, mas deixou tremendo em cada seio um rebento de amor. O Verão se acentua, e, de manhã, bem cedo, vêm dos silêncios amplos e sombrios dos versudos moitais, vêm do arvoredo, murmúrios macios de cicios… Há um mistério, um segredo que sai dos íntimos refolhos da alma dos animais, …

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Aug 31

Que este Amor não me Cegue – Poema de Hilda Hilst

Que este amor não me cegue nem me siga. E de mim mesma nunca se aperceba. Que me exclua do estar sendo perseguida E do tormento De só por ele me saber estar sendo. Que o olhar não se perca nas tulipas Pois formas tão perfeitas de beleza Vêm do fulgor das trevas. E o …

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Aug 31

Poemas aos Homens do nosso tempo – Hilda Hilst

Amada vida, minha morte demora. Dizer que coisa ao homem, Propor que viagem? Reis, ministros E todos vós, políticos, Que palavra além de ouro e treva Fica em vossos ouvidos? Além de vossa RAPACIDADE O que sabeis Da alma dos homens? Ouro, conquista, lucro, logro E os nossos ossos E o sangue das gentes E …

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Aug 05

A Moça que Mostrava a Coxa – Poema de Carlos Drummond de Andrade

A moça mostrava a coxa, a moça mostrava a nádega, só não mostrava aquilo – concha, berilo, esmeralda – que se entreabre, quatrifólio, e encerrra o gozo mais lauto, aquela zona hiperbórea, misto de mel e de asfalto, porta hermética nos gonzos de zonzos sentidos presos, ara sem sangue de ofícios, a moça não me …

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May 11

Lépida e leve – Poema de Gilka Machado

Lépida e leve em teu labor que, de expressões à míngua, O verso não descreve… Lépida e leve, guardas, ó língua, em seu labor, gostos de afagos de sabor. És tão mansa e macia, que teu nome a ti mesmo acaricia, que teu nome por ti roça, flexuosamente, como rítmica serpente, e se faz menos …

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Sep 08

Os lados – Poema de Paulo Mendes Campos

Há um lado bom em mim. O morto não é responsável Nem o rumor de um jasmim. Há um lado mau em mim, Cordial como um costureiro, Tocado de afetações delicadíssimas. Há um lado triste em mim. Em campo de palavra, folha branca. Bois insolúveis, metafóricos, tartamudos, Sois em mim o lado irreal. Há um …

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Aug 04

Profundamente – Poema de Manuel Bandeira

Quando ontem adormeci Na noite de São João Havia alegria e rumor Estrondos de bombas luzes de Bengala Vozes, cantigas e risos Ao pé das fogueiras acesas. No meio da noite despertei Não ouvi mais vozes nem risos Apenas balões Passavam, errantes Silenciosamente Apenas de vez em quando O ruído de um bonde Cortava o …

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Jun 24

Estória de João-Joana – Cordel de Carlos Drummond de Andrade e Sérgio Ricardo

Meu leitor, o sucedido em Lajes do Caldeirão é caso de muito ensino, merecedor de atenção. Por isso é que me apresento fazendo esta relação. Vivia em dito arraial do país das Alagoas um rapaz chamado João cuja força era das boas pra sujigar burro bravo, tigres, onças e leoas. João, lhe deram este nome …

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Jun 16

Impressões do gesto – Poema de Gilka Machado

A uma bailadeira A tua dança indefinida, que me retém extática, surpresa, guarda em si resumida a harmonia orquestral da natureza, a euritmia da Vida. (…) Danças, os membros novamente agitas, todo teu ser parece-me tomado por convulsões de dores infinitas… E desse trágico crescendo de gestos que enchem o silêncio de ais, vais smorzando, …

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May 05

Cisnes – Soneto de Júlio Mário Salusse

A vida, manso lago azul algumas Vezes, algumas vezes mar fremente, Tem sido para nós constantemente Um lago azul, sem ondas sem espumas! Sobre ele, quando, desfazendo as brumas Matinais, rompe um sol vermelho e quente, Nós dois vagamos indolentemente, Como dois cisnes de alvacentas plumas! Um dia um cisne morrerá, por certo: Quando chegar …

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