Category: Poesia

May 05

Troversando – Poema de Gilka Machado

Do sucesso na subida nunca te orgulhes demais muito difícil na vida é conservar o cartaz (…) Eu não explico a ninguém pois ainda não compreendi porque te chamo meu bem se sofro tanto por ti. (…) Entre nuvens no infinito, sofro a prisão mais prisão… Sinto-me pássaro aflito na gaiola de um avião. Não …

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Apr 12

Árvores do alentejo – Poema da portuguesa Florbela Espanca

Horas mortas… curvadas aos pés do Monte A planície é um brasido… e, torturadas, As árvores sangrentas, revoltadas, Gritam a Deus a bênção duma fonte! E quando, manhã alta, o sol postonte A oiro a giesta, a arder, pelas estradas, Esfíngicas, recortam desgrenhadas Os trágicos perfis no horizonte! Árvores! Corações, almas que choram, Almas iguais …

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Mar 30

Castelã de tristeza – Poema da portuguesa Florbela Espanca

Altiva e couraçada de desdém, Vivo sòzinha em meu castelo: a Dor! Passa por ele a luz de todo o amor… E nunca em meu castelo entrou alguém! Castelã da Tristeza, vês?…A quem?… -E o meu olhar é interrogador- Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr… Chora o silêncio…nada…ninguém vem… Castelã da Tristeza, porque choras …

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Jan 29

Encantamento – Poema de Gilka Machado

A Francisco Alves – O perfeito intérprete da canção brasileira Canta, que tua voz ardente e moça faz com que eu sinta a meiguice das palavras que a vida não me disse. Para te ouvir melhor abro as janelas e fico a sós com tua voz sonhando que a noite está cantando pelos lábios de …

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Jan 27

Emotividade da cor – Poema de Gilka Machado

A Dolores Marques Caplonch e a Miguel Caplonch Sete cores — sete notas erradias, sete notas da música do olhar, sete notas de etéreas melodias, de sons encantadores que se compõem entre si, formando outras tantas cores, do cinzento que cisma ao jade que sorri. Há momentos em que a cor nos modifica os sentimentos, …

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Jan 26

Ser Mulher … – Poema de Gilka Machado

Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada para os gozos da vida; a liberdade e o amor; tentar da glória a etérea e altívola escalada, na eterna aspiração de um sonho superior… Ser mulher, desejar outra alma pura e alada para poder, com ela, o infinito transpor; sentir a vida triste, insípida, isolada, …

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Jan 26

Fecundação – Poema de Gilka Machado

Teus olhos me olham longamente, imperiosamente… de dentro deles teu amor me espia. Teus olhos me olham numa tortura de alma que quer ser corpo, de criação que anseia ser criatura Tua mão contém a minha de momento a momento: é uma ave aflita meu pensamento na tua mão. Nada me dizes, porém entra-me a …

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Jan 12

Brinde no banquete das musas – Poema de Carlos Drummond de Andrade

Poesia, marulho e náusea, poesia, canção suicida, poesia, que recomeças de outro mundo, noutra vida Deixaste-nos mais famintos, poesia, comida estranha, se nenhum pão te equivale: a mosca deglute a aranha. Poesia sobre os princípios e os vagos dons do universo: em teu regaço incestuoso, o belo câncer do verso. Poesia, sobre o telúrio, reintegra …

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Jan 02

Prelúdios-intensos para os desmemoriados do amor – Poema de Hilda Hilst

I Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca Austera. Toma-me AGORA, ANTES Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes Da morte, amor, da minha morte, toma-me Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute Em cadência minha escura agonia. Tempo do corpo este tempo, da fome Do de dentro. Corpo …

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Dec 15

Drida, a maga perversa e fria – Poema de Hilda Hist

Pairava sobre as casas Defecava ratas Andava pelas vias Espalhando baratas Assim era Drida A maga perversa e fria. Rabiscava a cada dia o seu diário. Eis que na primeira página se lia: Enforquei com a minha trança O velho Jeremias. E enforcado e de mastruço duro Fiz com que a velha Inácia Sentasse o …

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