Category Archives: Poesia

Ouvir Estrelas – poesia de Olavo Bilac

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo, perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto Que, para ouví-las, muitas vezes desperto E abro as janelas, pálido de espanto E conversamos toda a noite, enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto.… Read More »

Epitáfio do México – poesia de Machado de Assis

Dobra o joelho: — é um túmulo. Embaixo amortalhado Jaz o cadáver tépido De um povo aniquilado; A prece melancólica Reza-lhe em torno à cruz. Ante o universo atônito Abriu-se a estranha liça, Travou-se a luta férvida Da força e da justiça; Contra a justiça, ó século, Venceu a espada e o obus. Venceu a… Read More »

A Carolina – poesia de Machado de Assis

Querida, ao pé do leito derradeiro Em que descansas dessa longa vida, Aqui venho e virei, pobre querida, Trazer-te o coração do companheiro. Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro Que, a despeito de toda a humana lida, Fez a nossa existência apetecida E num recanto pôs um mundo inteiro. Trago-te flores, — restos arrancados Da terra que… Read More »

Quinze Anos – poesia de Machado de Assis

Oh! la fleur de l’Eden, pourquoi l’as-tu fannée, Insouciant enfant, belle Eve aux blonds cheveux! Alfred de Musset Era uma pobre criança… — Pobre criança, se o eras! — Entre as quinze primaveras De sua vida cansada Nem uma flor de esperança Abria a medo. Eram rosas Que a doida da esperdiçada Tão festivas, tão… Read More »

Se Eu Morresse Amanhã – poema de Álvares de Azevedo

Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã, Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã! Quanta glória pressinto em meu futuro! Que aurora de porvir e que manhã! Eu perdera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã! Que sol! que céu azul! que doce n’alva Acorda ti natureza… Read More »

Psicologia de um vencido – poema de Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênesis da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundíssimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância… Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme — este operário das… Read More »

Sal, Cal e Alho – Poema de Gregório de Matos

Sal, cal e alho Caiam no teu maldito caralho. Amém. O fogo de Sodoma e de Gomorra Em cinza te reduzam essa porra. Amém. Tudo em fogo arda, Tu, e teus filhos, e o Capitão da Guarda ___________________________________________________________________________ Este poema é uma singela homenagem ao então governador da Bahia, Câmara Coutinho, entre 1690 e 1694… Read More »