Category: Rubem Braga

Apr 11

Berço de Mata-Borrão – crônica de Rubem Braga

“Dê-me o berço de mata-borrão”, disse eu. Na inocência de seus vinte anos, ela me olhou intrigada: “berço de quê?” Só então eu refleti que mata-borrão é uma palavra forte (até violenta) e feia. Trata-se de um papel que serve para absorver tinta. Normalmente a gente o usava para secar a escrita, pois a tinta …

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Apr 11

Um braço de mulher – crônica de Rubem Braga

Subi ao avião com indiferença, e como o dia não estava bonito, lancei apenas um olhar distraído a essa cidade do Rio de Janeiro e mergulhei na leitura de um jornal. Depois fiquei a olhar pela janela e não via mais que nuvens, e feias. Na verdade, não estava no céu; pensava coisas da terra, …

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Apr 11

O Verão e as Mulheres – crônica de Rubem Braga

Talvez tenha acabado o verão. Há um grande vento frio cavalgando as ondas, mas o céu está limpo e o sol é muito claro. Duas aves dançam sobre as espumas assanhadas. As cigarras não cantam mais. Talvez tenha acabado o verão. Estamos tranqüilos. Fizemos este verão com paciência e firmeza, como os veteranos fazem a …

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Apr 11

O Desaparecido – crônica de Rubem Braga

Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece …

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Apr 11

Carta ao Prefeito – crônica de Rubem Braga

Senhor Prefeito do Distrito Federal: Eu sou um desses estranhos animais que têm por habitat o Rio de Janeiro; ouvi-me, pois, com o devido respeito. Sou um monstro de resistência e um técnico em sobrevivência – pois o carioca é, antes de tudo, um forte. Se às vezes saio do Rio por algum tempo para …

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