O lutador de boxe – crônica de Carlos Vitor de Castro

By | March 25, 2013

Minha vida inteira foi uma luta de boxe, eu sempre estive nas cordas e apanhava mais do que batia, de qualquer maneira a torcida gostava, sou raçudo e apanho sem baixar a guarda, de vez em quando encaixava um upper e a torcida se perguntava como aquele cara ainda estava de pé. Raçudo.

O fim do segundo “casamento” foi o nockdown, beijei a lona, o juiz começou a contagem e como um milagre levantei e soou o gongo, fui salvo pelo fim do round, quando voltei só apanhei e me defendi, não esboçava reação, mas como sempre estava de pé, mesmo caindo de vez em quando eu levantava e abusava do clinch para não perder a luta.

Minha nova relação depois destes rounds ruins me fizeram mais forte, vida calma, amor tranquilo e sem paixão, tudo que precisava para voltar ao centro do ring e partir pra cima mas o câncer e a morte de Simone funcionaram como um cruzado no queixo num momento em que estava com a guarda baixa, nockout, fim de luta e sai da arena direto para o CTI.

Morri.

Não sei como me recuperei, talvez por ver que meu filho é uma cópia fiel do que eu era, um “eu” feliz, talvez a força dos poucos amigos que não me abandonaram ou aceitar um novo afeto, ressuscitei, sim, voltei dos mortos e estou no ring mais uma vez, não sou campeão, não vou levar o cinturão para casa mas estou muito feliz em estar de pé de novo e partindo pra porrada porque a vida não é para amadores.

Comments

comments

One thought on “O lutador de boxe – crônica de Carlos Vitor de Castro

Leave a Reply

Your email address will not be published.