O PM que ganhou na mega-sena em operação na favela da Maré

By | March 9, 2013

Mais um dia de trabalho na vida do PM Fulano de Tal, chegou as quatro da manhã ao batalhão onde era lotado para participar de uma operação, o comando não informava o local para que os PMs corruptos não avisassem seus colegas traficantes sobre a operação. Mas é claro que num nível mais acima os próprios comandantes avisam traficantes sobre operações, mas estamos falando do varejo hoje.

Todo mundo pronto, alguns PMs sonolentos, outros saíram do bar direto para a operação e os mais jovens ou estavam se cagando ou doidos de vontade de partir para a porrada.

A operação seria na favela da Maré, uma das comunidades mais perigosas do Rio de Janeiro, área plana, alguns locais são verdadeiros pântanos e algumas casas são na verdade palafitas sobre o esgoto. Para piorar a situação nesta época ainda haviam ex-guerrilheiros angolanos que vieram para o Brasil clandestinos e ensinavam técnicas de guerrilha para traficantes.

Não sei o que aconteceu com estes angolanos/guerrilheiros, não se ouve mais falar neles, acho que a polícia ja matou todos. Ainda existem muitos angolanos na comunidade mas não são mais ligados ao tráfico.

A operação correu tranquila e sem tiroteios, parecia que mais uma vez teria havido vazamento e os traficantes se esconderam em seus buracos de rato junto com armas e drogas.

A PM começou a varredura para encontrar vagabundos entocados, armas, drogas e dinheiro. Em uma palafita vazia encontraram pontas de baseado, saquinhos vazios de cocaína, quentinhas vazias e alguns cartuchos deflagrados, era sinal de que o local era uma espécie de base para a malandragem. O soldado Fulano de Tal achou que ali poderia haver mais alguma coisa e sugeriu aos quatro colegas do grupo que fizessem uma revista em baixo da palafita, isto quer dizer ficar com água de esgoto até a cintura.

“Tá maluco Fulano, eu não vou entrar nesta merda ai”, foi quase um coro que Fulano de Tal ouviu, mas por um motivo que só o Fulano sabe, ele resolveu pedir para que os colegas esperarassem e deu a volta pela palafita e entrou na água de esgoto em baixo da casa.

De onde estava não podia ser visto pelos quatro colegas que permaneceram na palafita, puxa daqui, mexe dali, e Fulano de Tal encontrou seu tesouro, duas pistolas e muita grana em sacos plásticos, os olhos do PM arregalaram e ele começou a rasgar o plástico e enfiar o que podia do dinheiro nos bolsos, cueca, onde dava para esconder dinheiro ele enfiava. Quando terminou de encher as burras ainda havia muito dinheiro e as pistolas, neste momento ele começou a gritar, “achei, achei, passa um rádio para o oficial…”.

Ai não tinha mais jeito de catar nada, dois colegas contrariados desceram no esgoto e ajudaram Fulano de Tal a recolher o restante do dinheiro e as duas armas.

O caso ainda não estava resolvido, a operação não havia acabado e o PM teve de percorrer a favela, conversar com colegas e superiores, entrar em outras casas, tudo isso com as roupas cheias de dinheiro, uma agonia, ele sabia que se num beco qualquer fosse descoberto por colegas teria de dividir o dinheiro ou seria morto com uma arma não registrada, o dinheiro seria recolhido e contariam que Fulano teria sido alvejado por traficantes.

Terminada a operação na Maré todos voltaram para o batalhão, e Fulano ainda preocupado em ser preso com aquele monte de dinheiro. Disse que precisava de um banho e que iria buscar uma toalha nova que estava em seu carro no estacionamento, foi até o carro e escondeu o dinheiro em baixo do banco traseiro e entrou de novo no batalhão, sem a toalha mas ninguém notou.

Contou as horas para terminar seu plantão, achava que seria possível um colega ter visto ele colocar o dinheiro no carro e ter a idéia de roubar o carro, não seria complicado, bastaria dar 100 reais para o sentinela que diria depois que estava fazendo xixi quando o carro saiu.

Fim do expediente, Fulano voltou para seu carro e tudo ainda estava lá, dirigiu para casa com a pistola carregada no colo e só ficou tranquilo quando entrou dentro de casa.

Comprou bicicleta para os filhos e um TV grande para a sala, sua mulher ganhou um vestido bonito e agradeceu ao marido a noite com uma paixão que ele já não via a algum tempo.

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