O Enterro do Sinhô – Crônica de Manuel Bandeira

J. B. SILVA, o popular Sinhô dos mais deliciosos sambas cariocas, era um desses homens que ainda morrendo da morte mais natural deste mundo dão a todos a impressão de que morreram de acidente. Zeca Patrocínio, que o adorava e com quem ele tinha grandes afinidades de temperamento, era assim também: descarnado, lívido, frangalho de… Read More »

Na mira – Conto de Emerson Silva

Sei que virarei foto. Não tenho nenhuma dúvida disso. No máximo alguma dedicatória, de um filho ou sobrinho, bordando sintaticamente a imagem de alguém que não existe mais. A escrita ao vazio confere-se de uma natureza bastante decorosa, “em memória”, “saudades eternas”, epítetos sofisticados como reza as homenagens. Irrevogavelmente, esse peito que versou quase todas… Read More »

A Moça que Mostrava a Coxa – Poema de Carlos Drummond de Andrade

A moça mostrava a coxa, a moça mostrava a nádega, só não mostrava aquilo – concha, berilo, esmeralda – que se entreabre, quatrifólio, e encerrra o gozo mais lauto, aquela zona hiperbórea, misto de mel e de asfalto, porta hermética nos gonzos de zonzos sentidos presos, ara sem sangue de ofícios, a moça não me… Read More »

Furto de flor – Crônica de Carlos Drummond de Andrade

Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida. Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor… Read More »