Seu Pompom – crônica de Luis Fernando Veríssimo

By | June 5, 2013

Foi só alguns dias antes do casamento que a Marcinha avisou ao Eliseu que dormia com um ursinho. Que tinha o ursinho desde criança e que não podia ir para a cama sem ele. O Eliseu achou graça. Estava tão apaixonado que qualquer coisa que a Marcinha lhe dissesse — mesmo “Faço xixi na cama” ou “Ronco a noite inteira” — ele aceitaria, e acharia graça. Marcinha era mesmo uma criança, apesar dos seus 24 anos. Fora aquilo que o atraíra nela. No fundo era uma criança, ingênua, inocente. Como era o nome do ursinho? “Seu Pompom”, respondeu a Marcinha.

— Pois terei grande prazer em dormir com o seu Pompom — disse o Eliseu, enternecido.

O ursinho foi com eles na lua-de-mel e acabou sendo um surpreendente acessório nos jogos do amor. O Eliseu não imaginava que pudesse ficar tão excitado com as frases que ouvia do seu Pompom, na voz da Marcinha, cada vez que terminavam de fazer amor, durante a lua-de-mel. “Isso foi muito bom. O seu Pompom gostou muito. O seu Pompom quer mais”. Depois, em casa, era o seu Pompom, manipulado pela Marcinha, que acordava o Eliseu, quando a Marcinha queria mais. E o seu Pompom acordava o Eliseu várias vezes por semana. Depois dizia: “O seu Pompom gostou. O seu Pompom gostou muito. O seu Pompom quer mais”.

Eliseu não se conteve e um dia contou, numa roda de amigos, o que era a sua vida sexual, com a participação do seu Pompom. Era óbvio que sua mulherzinha, a Marcinha, usava o ursinho para ajudá-la a vencer suas inibições e sua inexperiência, no sexo. E o seu Pompom se revelara um parceiro sexual maravilhoso.

Maravilhoso. Todos na roda se entreolharam. Todos conheciam bem a Marcinha. E quando o Eliseu foi embora, um deles falou:

— Espera até ele conhecer o lado crítico do seu Pompom.

 



 

Comments

comments

Leave a Reply

Your email address will not be published.