Tag: a vida como ela é

Dec 08

A mulher das bofetadas – Conto de Nelson Rodrigues

Chegou atrasado no emprego. Tirava o paletó, quando o Carvalhinho veio avisar: — Olha, telefonaram pra ti. — Homem ou mulher? — Mulher. — Deixou recado? — Não. Disse que telefonava depois. Arregaçando as mangas, bufou: — OK! OK! Uns dez minutos depois, estava pondo em ordem uns papéis, quando o telefone bate novamente. O …

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May 05

Um Caso Perdido – crônica de Nelson Rodrigues

A princípio, a família foi contra: — Esse sujeito não presta! É um bestalhão! Um conversa-fiada! Talvez fosse isso e muito mais. Para começar não trabalha­va, nem queria nada com o trabalho. Além disso, bebia, jogava, vivia metido com desclassificados de ambos os sexos, em pago­des espetaculares. Apontava-se, mesmo, uma fulana, de péssimos antecedentes, que, …

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May 05

O Grande Viúvo – crônica de Nelson Rodrigues

Na volta do cemitério, ele falou para a família: — Bem. Quero que vocês saibam o seguinte: — minha mu­lher morreu e eu também vou morrer. Houve em torno um espanto mudo. Os parentes entreolharam-se. O pai do viúvo ergueu-se: — Calma, meu filho, calma! Jair virou-se, violento: — Calma porque a mulher é minha …

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May 05

Escorpião de Banheiro – crônica de Nelson Rodrigues

Viviam como cão e gato. E eram brigas diárias e tremen­das. Numa das vezes, foi até interessante: — Belchior deu um murro, de mão fechada, na testa de Elvira. A pequena virou por cima das cadeiras. Ergueu-se, ainda vesga da pancada e da que­da. Mas não teve dúvidas maiores: — apanhou o aparelho de rádio …

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May 05

A mulher das bofetadas – crônica de Nelson Rodrigues

Chegou atrasado no emprego. Tirava o paletó, quando o Carvalhinho veio avisar: — Olha, telefonaram pra ti. — Homem ou mulher? — Mulher. — Deixou recado? — Não. Disse que telefonava depois. Arregaçando as mangas, bufou: — ok! ok! Uns dez minutos depois, estava pondo em ordem uns papéis, quando o telefone bate novamente. O …

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Apr 02

O Canalha – conto de Nelson Rodrigues

Quando soube que a noiva tinha viajado de lotação com o Dudu, sentada no mesmo banco, pôs as mãos na cabeça: — Com o Dudu? E ela: — Com o Dudu, sim. As duas mãos enfiadas nos bolsos, andando de um lado pa­ra outro, ele estaca, finalmente, diante da pequena: — Olha, Cleonice, vou te …

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Mar 22

Os Noivos – crônica de Nelson Rodrigues

Quando Salviano começou a namorar Edila, o pai o chamou: — Senta, meu filho, senta. Vamos bater um papo. Ele obedeceu: — Pronto, papai. O velho levantou-se. Andou de um lado para outro e senta de novo: — Quero saber, de ti, o seguinte: esse teu namoro é coisa séria? Pra casar? Vermelho, respondeu: — …

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Mar 22

O Pediatra – crônica de Nelson Rodrigues

Saiu do telefone e anunciou para todo o escritório: — Topou! Topou! Foi envolvido, cercado por três ou quatro companheiros. O Meireles cutuca: — Batata? Menezes abre o colarinho: — “Batatíssima!”. Outro insiste: — Vale? Justifica? Fez um escândalo: — Se vale? Se justifica? Ó rapaz! É a melhor mulher do Rio de Janeiro! Casada …

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Mar 22

A Dama do Lotação – conto de Nelson Rodrigues

Às dez horas da noite, debaixo de chuva, Carlinhos foi bater na casa do pai. O velho, que andava com a pressão baixa, ruim de saúde como o diabo, tomou um susto: — Você aqui? A essa hora? E ele, desabando na poltrona, com profundíssimo suspiro: — Pois é, meu pai, pois é! — Como …

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