Tag Archives: contos brasileiros

Obscenidades para uma dona-de-casa – Conto de Ignácio de Loyola Brandão

Três da tarde ainda, ficava ansiosa. Andava para lá, entrava na cozinha, preparava nescafé. Ligava televisão, desligava, abria o livro. Regava a planta já regada, girava a agenda telefônica, à procura de amiga a quem chamar. Apanhava o litro de martíni, desistia, é estranho beber sozinha às três e meia da tarde. Podem achar que… Read More »

O homem cuja orelha cresceu – conto de Ignácio de Loyola Brandão

Estava escrevendo, sentiu a orelha pesada. Pensou que fosse cansaço, eram 11 da noite, estava fazendo hora-extra. Escriturário de uma firma de tecidos, solteiro, 35 anos, ganhava pouco, reforçava com extras. Mas o peso foi aumentando e ele percebeu que as orelhas cresciam. Apavorado, passou a mão. Deviam ter uns dez centímetros. Eram moles, como… Read More »

Carta de Paris – conto de Ana Cristina Cesar

I Eu penso em você, minha filha. Aqui lágrimas fracas, dores mínimas, chuvas outonais apenas esboçando a majestade de um choro de viúva, águas mentirosas fecundando campos de melancolia, tudo isso de repente iluminou minha memória quando cruzei a ponte sobre o Sena. A velha Paris já terminou. As cidades mudam mas meu coração está… Read More »

Aqueles dois (História de aparente mediocridade e repressão) – Conto de Caio Fernando Abreu

Para Rofran Fernandes: “I announce adhesiveness, I say it shall be limitless, unloosen il. I say you shall yet find the friend youwere looking for.” (Walt Whitman: So Long!) A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como “um deserto de… Read More »

Linda, uma história horrível – Conto de Caio Fernando Abreu

Para Sergio Keuchguerian “Você nunca ouviu falar em maldição nunca viu um milagre nunca chorou sozinha num banheiro sujo nem nunca quis ver a face de Deus.” (Cazuza: “Só as mães são felizes”) Só depois de apertar muitas vezes a campainha foi que escutou o rumor de passos descendo a escada. E reviu o tapete… Read More »

Gato gato gato – Conto de Otto Lara Resende

Familiar aos cacos de vidro inofensivos, o gato caminhava molengamente por cima do muro. O menino ia erguer-se, apanhar um graveto, respirar o hálito fresco do porão. Sua úmida penumbra. Mas a presença do gato. O gato, que parou indeciso, o rabo na pachorra de uma quase interrogação. Luminoso sol a pino e o imenso… Read More »