Tag: crônica de Luis Fernando Verissimo

Aug 07

Futebol de rua – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Pelada é o futebol de campinho, de terreno baldio. Mas existe um tipo de futebol ainda mais rudimentar do que a pelada. É o futebol de rua. Perto do futebol de rua qualquer pelada é luxo e qualquer terreno baldio é o Maracanã em jogo noturno. Se você é homem, brasileiro e criado em cidade, …

Continue reading

May 16

Ed Mort vai longe – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Mort. Ed Mort. Detetive particular. É o que está escrito na plaqueta. Meu escritório fica numa galeria de Copacabana. Entre um fotógrafo que anuncia “Fazemos os maiores 3 x 4 da praça” e uma escola de cabeleireiros. Lugar perigoso. Aqui ninguém diz mais “Isto é um assalto”. Diz “É outro”. O número de baratas na …

Continue reading

Dec 14

Ed Mort e o anjo barroco – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Durante meses ninguém entrara no meu escri – escritório é uma palavra grande demais para descrevê-lo – a não ser cobradores, que eram expulsos sob ameaças de morte ou coisa pior. De repente, começou o movimento. Entrava gente o dia inteiro. Gente diferente. Até as baratas* estranharam …

Continue reading

Feb 06

Outra carta da Dorinha – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha, como se sabe, não revela sua idade para ninguém, mas nega que já viu o Cometa Halley passar duas vezes. Só o Pitanguy e Deus sabem a sua verdadeira idade, e um está aposentado e o outro está quase. Dorinha tem se reunido com o seu grupo …

Continue reading

Dec 07

O estranho procedimento de dona Dolores – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Começou na mesa do almoço. A família estava comendo — pai, mãe, filho e filha — e de repente a mãe olhou para o lado, sorriu e disse: — Para a minha família, só serve o melhor. Por isso eu sirvo arroz Rizobon. Rende mais e é mais gostoso. O pai virou-se rapidamente na cadeira …

Continue reading

Nov 26

A metamorfose – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas …

Continue reading

Aug 13

De ressaca – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Hoje, existem pílulas milagrosas, mas eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas, porque você as tomava sabendo que no dia seguinte estaria no inferno. Além de saúde era preciso coragem. As novas gerações não conhecem ressaca, o que talvez explique a falência dos velhos valores. A ressaca …

Continue reading

Jul 31

Vida de cinema – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Os filmes que víamos antigamente não nos prepararam para a vida. Em alguns casos, continuam nos iludindo. Por exemplo: briga de socos. Entre as convenções do cinema que persistem até hoje está a de que socos na cara produzem um som que na vida real nunca se ouviu. O choque de punho contra rosto fazia …

Continue reading

Jul 15

Me belisque – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Como psicanalista, o dr. Abreu já tratara de muita gente estranha. Um paciente tentara esgoelá-lo e saíra do consultório diretamente para o manicômio. Outro contara em detalhes toda a sua vida, que o dr. Abreu não demorara em identificar como sendo a vida do Thomas Edison. Por isto o dr. Abreu não se surpreendeu quando …

Continue reading

Jul 09

Outra do Analista de Bagé – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Existem muitas histórias sobre o analista de Bagé mas não sei se todas são verdadeiras. Seus métodos são certamente pouco ortodoxos, embora ele mesmo se descreva como “freudiano barbaridade”. E parece que dão certo, pois sua clientela aumenta. Foi ele que desenvolveu a terapia do joelhaço. Diz que quando recebe um paciente novo no seu …

Continue reading