Tag Archives: crônica de Nelson Rodrigues

O ex-covarde – Texto de Nelson Rodrigues

Entro na redação e o Marcelo Soares de Moura me chama. Começa: — “Escuta aqui, Nélson. Explica esse mistério.” Como havia um mistério, sentei-me. Ele começa: — “Você, que não escrevia sobre política, por que é que agora só escreve sobre política?” Puxo um cigarro, sem pressa de responder. Insiste: — “Nas suas peças não… Read More »

Cansada de ser fria – crônica de Nelson Rodrigues

Quando o irmão apareceu na porta do escritório, perguntou: — Qual é o drama? E Gervásio, arriando na cadeira: — Preciso muito falar contigo. Apanha um cigarro. — Fala! Então, já com os olhos cheios de lágrimas, o outro pede: — “Primeiro, fecha a porta”. Felipe sente que o irmão está arrasado. Surpreso, levanta-se e… Read More »

Pouco Amor não é Amor – crônica de Nelson Rodrigues

Nem Balbino, nem Arlete confessariam o seguinte: — o amor de ambos nascera no cemitério. A menina acompanhava o enterro da avó. E o rapaz, que não conhecia a morta, nem a neta, estaria interessado em outro defunto. Parou um momento para espiar a sepultura aberta e o caixão que chegava. E viu Arlete, à… Read More »

Um Caso Perdido – crônica de Nelson Rodrigues

A princípio, a família foi contra: — Esse sujeito não presta! É um bestalhão! Um conversa-fiada! Talvez fosse isso e muito mais. Para começar não trabalha­va, nem queria nada com o trabalho. Além disso, bebia, jogava, vivia metido com desclassificados de ambos os sexos, em pago­des espetaculares. Apontava-se, mesmo, uma fulana, de péssimos antecedentes, que,… Read More »

O Grande Viúvo – crônica de Nelson Rodrigues

Na volta do cemitério, ele falou para a família: — Bem. Quero que vocês saibam o seguinte: — minha mu­lher morreu e eu também vou morrer. Houve em torno um espanto mudo. Os parentes entreolharam-se. O pai do viúvo ergueu-se: — Calma, meu filho, calma! Jair virou-se, violento: — Calma porque a mulher é minha… Read More »

Escorpião de Banheiro – crônica de Nelson Rodrigues

Viviam como cão e gato. E eram brigas diárias e tremen­das. Numa das vezes, foi até interessante: — Belchior deu um murro, de mão fechada, na testa de Elvira. A pequena virou por cima das cadeiras. Ergueu-se, ainda vesga da pancada e da que­da. Mas não teve dúvidas maiores: — apanhou o aparelho de rádio… Read More »

A mulher das bofetadas – crônica de Nelson Rodrigues

Chegou atrasado no emprego. Tirava o paletó, quando o Carvalhinho veio avisar: — Olha, telefonaram pra ti. — Homem ou mulher? — Mulher. — Deixou recado? — Não. Disse que telefonava depois. Arregaçando as mangas, bufou: — ok! ok! Uns dez minutos depois, estava pondo em ordem uns papéis, quando o telefone bate novamente. O… Read More »