Tag: crônica de Rubem Braga

Aug 11

Um sonho de simplicidade – crônica de Rubem Braga

Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providencias a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. …

Continue reading

Aug 04

Pescaria de barco – crônica de Rubem Braga

Às seis horas apontamos a proa para a ilha Raza e às doze e meia já estávamos de volta. Foi uma pescaria curta e modesta, pois trouxemos apenas um dourado de dez quilos que o patrão do barco fisgou, eu ajudei a tentear e Chico Brito puxou com o bicheiro. Não o choreis. Era na …

Continue reading

Jul 28

Pensamentos em Itatiaia – crônica de Rubem Braga

Certamente ela desceu para este pomar, aventurou-se para junta da mata, ouviu cantar esses pássaros. E na varanda, de tarde, talvez tenha pensado em mim. De algum modo eu vivi aqui, eu existi um pouco nessas alturas há longos, longos anos. Só as árvores mais antigas poderiam saber esse velho segredo triste, esse amor que …

Continue reading

Jul 24

Os Teixeiras moravam em frente – crônica de Rubem Braga

Para não dar nome certo digamos assim: os Teixeiras moravam quase defronte lá de casa. Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e …

Continue reading

Jul 22

Os sons de antigamente – crônica de Rubem Braga

Conta-se na família que, quando meu pai comprou a nossa casa de Cachoeiro esse relógio já estava na parede da sala; e que o vendedor o deixou lá, porque naquele tempo não ficava bem levar. (Hoje, meu Deus, carregam até a lâmpada de sessenta velas, até o bocal da lâmpada, deixam aquele fio solto no …

Continue reading

Jul 19

O mato – Crônica de Rubem Braga

Veio o vento frio, e depois o temporal noturno, e depois da lenta chuva que passou toda a manhã caindo e ainda voltou algumas vezes durante o dia, a cidade entardeceu em brumas. Então o homem esqueceu o trabalho e as promissórias, esqueceu a condução e o telefone e o asfalto, e saiu andando lentamente …

Continue reading

Jul 16

O homem do mediterrâneo – crônica de Rubem Braga

Uma tarde, em algum lugar da Grécia. Curvada para o chão, a velha recolhe as azeitonas e as joga dentro de um cesto. Talvez não seja muito velha, e a fadiga do trabalho a faça parecer menor e mais lenta. Com uma longa vara, o homem de cabelos grisalhos bate os galhos da oliveira. Um …

Continue reading

Jul 14

O crime (de plágio) perfeito – crônica de Rubem Braga

Aconteceu em São Paulo, por volta de 1933, ou 4. Eu fazia crônicas diárias no Diário de São Paulo e além disso era encarregado de reportagens e serviços de redação; ainda tinha uns bicos por fora. Fundou-se naquela ocasião um semanário humorístico. O Interventor, que depois haveria de se chamar O Governador. Seu dono era …

Continue reading

Jul 12

O boi velho – crônica de Rubem Braga

Uma das coisas mais ingênuas e comoventes da vida do Barão do Rio Branco era o seu sonho de fazendeiro. Homem nascido e vivido em cidade, traça de bibliotecas, urbano até a medula, cada vez que uma coisa o aborrecia em meio às batalhas diplomáticas, seu desabafo era o mesmo, em carta a algum amigo: …

Continue reading

Jul 02

Negócio de menino – crônica de Rubem Braga

Tem dez anos, é filho de um amigo, e nos encontramos na praia: – Papai me disse que o senhor tem muito passarinho… – Só tenho três. – Tem coleira? – Tenho uma coleirinha. – Virado? – Virado. – Muito velho? – Virado há um ano. – Canta? – Uma beleza. – Manso? – Canta …

Continue reading