Tag: poema de Cecília Meireles

Dec 01

Lamento do oficial por seu cavalo morto – Poema de Cecília Meireles

Nós merecemos a morte, porque somos humanos e a guerra é feita pelas nossas mãos, pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra, por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens que trazemos por dentro, e ficam sem explicação. Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia, os cálculos do gesto, embora sabendo que somos …

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Dec 01

Mulher ao espelho – Poema de Cecília Meireles

Hoje que seja esta ou aquela, pouco me importa. Quero apenas parecer bela, pois, seja qual for, estou morta. Já fui loura, já fui morena, já fui Margarida e Beatriz. Já fui Maria e Madalena. Só não pude ser como quis. Que mal faz, esta cor fingida do meu cabelo, e do meu rosto, se …

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Jun 17

Dos cravos roxos – Poema de Cecília Meireles

Esta noite, quando, lá fora, campanários tontos bateram doze vezes o apelo da hora, na minha jarra, onde a água chora, meus dois cravos roxos morreram… Meus dois cravos roxos morreram! Meus dois cravos roxos defuntos, são como beijos que sofreram, como beijos que enlouqueceram porque nunca vibraram juntos… São como a sombra dolorida de …

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Jun 17

Metamorfose – poema de Cecília Meireles

Súbito pássaro dentro dos muros caído, pálido barco na onda serena chegado. Noite sem braços! Cálido sangue corrido. E imensamente o navegante mudado. Seus olhos densos apenas sabem ter sido. Seu lábio leva um outro nome mandado. Súbito pássaro por altas nuvens bebido. Pálido barco nas flores quietas quebrado. Nunca, jamais e para sempre perdido …

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Jun 17

Personagem – poema de Cecília Meireles

Teu nome é quase indiferente e nem teu rosto mais me inquieta. A arte de amar é exactamente a de se ser poeta. Para pensar em ti, me basta o próprio amor que por ti sinto: és a ideia, serena e casta, nutrida do enigma do instinto. O lugar da tua presença é um deserto, …

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Apr 11

Aceitação – poema de Cecília Meireles

É mais fácil pousar o ouvido nas nuvens e sentir passar as estrelas do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos. É mais fácil, também, debruçar os olhos nos oceanos e assistir, lá no fundo, ao nascimento mundo das formas, que desejar que apareças, criando com teu simples gesto o sinal …

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Apr 05

Leilão de Jardim – poema de Cecília Meireles

Quem me compra um jardim com flores? borboletas de muitas cores, lavadeiras e passarinhos, ovos verdes e azuis nos ninhos? Quem me compra este caracol? Quem me compra um raio de sol? Um lagarto entre o muro e a hera, uma estátua da Primavera? Quem me compra este formigueiro? E este sapo, que é jardineiro? …

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Apr 05

Uma Palmada Bem Dada – poema de Cecília Meireles

É a menina manhosa Que não gosta da rosa, Que não quer A borboleta Porque é amarela e preta, Que não quer maçã nem pêra Porque tem gosto de cera, Porque não toma leite Porque lhe parece azeite, Que mingau não toma Porque é mesmo goma, Que não almoça nem janta porque cansa a garganta, …

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Apr 05

De Que São Feitos os Dias? – poema de Cecília Meireles

De que são feitos os dias? – De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças. Entre mágoas sombrias, momentâneos lampejos: vagas felicidades, inactuais esperanças. De loucuras, de crimes, de pecados, de glórias – do medo que encadeia todas essas mudanças. Dentro deles vivemos, dentro deles choramos, em duros desenlaces e em sinistras alianças…

Apr 05

A Amiga Deixada – poema de Cecília Meireles

Antiga cantiga da amiga deixada. Musgo da piscina, de uma água tão fina, sobre a qual se inclina a lua exilada. Antiga cantiga da amiga chamada. Chegara tão perto! Mas tinha, decerto, seu rosto encoberto… Cantava — mais nada. Antiga cantiga da amiga chegada. Pérola caída na praia da vida: primeiro, perdida e depois — …

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