Tag Archives: poema de Cecília Meireles

Lamento do oficial por seu cavalo morto – Poema de Cecília Meireles

Nós merecemos a morte, porque somos humanos e a guerra é feita pelas nossas mãos, pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra, por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens que trazemos por dentro, e ficam sem explicação. Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia, os cálculos do gesto, embora sabendo que somos… Read More »

Dos cravos roxos – Poema de Cecília Meireles

Esta noite, quando, lá fora, campanários tontos bateram doze vezes o apelo da hora, na minha jarra, onde a água chora, meus dois cravos roxos morreram… Meus dois cravos roxos morreram! Meus dois cravos roxos defuntos, são como beijos que sofreram, como beijos que enlouqueceram porque nunca vibraram juntos… São como a sombra dolorida de… Read More »

Metamorfose – poema de Cecília Meireles

Súbito pássaro dentro dos muros caído, pálido barco na onda serena chegado. Noite sem braços! Cálido sangue corrido. E imensamente o navegante mudado. Seus olhos densos apenas sabem ter sido. Seu lábio leva um outro nome mandado. Súbito pássaro por altas nuvens bebido. Pálido barco nas flores quietas quebrado. Nunca, jamais e para sempre perdido… Read More »

Leilão de Jardim – poema de Cecília Meireles

Quem me compra um jardim com flores? borboletas de muitas cores, lavadeiras e passarinhos, ovos verdes e azuis nos ninhos? Quem me compra este caracol? Quem me compra um raio de sol? Um lagarto entre o muro e a hera, uma estátua da Primavera? Quem me compra este formigueiro? E este sapo, que é jardineiro?… Read More »

Uma Palmada Bem Dada – poema de Cecília Meireles

É a menina manhosa Que não gosta da rosa, Que não quer A borboleta Porque é amarela e preta, Que não quer maçã nem pêra Porque tem gosto de cera, Porque não toma leite Porque lhe parece azeite, Que mingau não toma Porque é mesmo goma, Que não almoça nem janta porque cansa a garganta,… Read More »

De Que São Feitos os Dias? – poema de Cecília Meireles

De que são feitos os dias? – De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças. Entre mágoas sombrias, momentâneos lampejos: vagas felicidades, inactuais esperanças. De loucuras, de crimes, de pecados, de glórias – do medo que encadeia todas essas mudanças. Dentro deles vivemos, dentro deles choramos, em duros desenlaces e em sinistras alianças…