Tag: Poema de Hilda Hilst

Aug 31

Que este Amor não me Cegue – Poema de Hilda Hilst

Que este amor não me cegue nem me siga. E de mim mesma nunca se aperceba. Que me exclua do estar sendo perseguida E do tormento De só por ele me saber estar sendo. Que o olhar não se perca nas tulipas Pois formas tão perfeitas de beleza Vêm do fulgor das trevas. E o …

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Aug 31

Poemas aos Homens do nosso tempo – Hilda Hilst

Amada vida, minha morte demora. Dizer que coisa ao homem, Propor que viagem? Reis, ministros E todos vós, políticos, Que palavra além de ouro e treva Fica em vossos ouvidos? Além de vossa RAPACIDADE O que sabeis Da alma dos homens? Ouro, conquista, lucro, logro E os nossos ossos E o sangue das gentes E …

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Jan 02

Prelúdios-intensos para os desmemoriados do amor – Poema de Hilda Hilst

I Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca Austera. Toma-me AGORA, ANTES Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes Da morte, amor, da minha morte, toma-me Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute Em cadência minha escura agonia. Tempo do corpo este tempo, da fome Do de dentro. Corpo …

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Dec 15

O anão triste – Poema de Hilda Hilst

De pau em riste O anão Cidão Vivia triste. Além do chato de ser anão Nunca podia Meter o ganso na tia Nem na rodela do negrão. É que havia um problema: O porongo era longo Feito um bastão. E quando ativado Virava… a terceira perna do anão. Um dia… sentou-se o anão triste Numa …

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Apr 08

Ária amaríssima de um instante – Hilda Hilst

Ária Amaríssima de um instante SOBRE mim o sudário das coisas. Brandura extensa Camada-transparência sobre as gentes. Vê só: Eu não te olho com o teu olho que sabe Que quase tudo em ti é transitório. Meu olho-liquidez Descobre uma tarde esvaída, tarde-madrugada Tempo alongado onde te fizeste em viuvez. Não perdeste a mulher ou …

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Mar 15

Venho de Tempos Antigos – Poema de Hilda Hilst

Deus pode ser a grande noite escura E de sobremesa O flambante sorvete de cereja. Deus: Uma superfície de gelo ancorada no riso. Venho de tempos antigos. Nomes extensos: Vaz Cardoso, Almeida Prado Dubayelle Hilst… eventos. Venho de tuas raízes, sopros de ti. E amo-te lassa agora, sangue, vinho Taças irreais corroídas de tempo. Amo-te …

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Mar 13

A rainha careca – Poema de Hilda Hilst

De cabeleira farta de rígidas ombreiras de elegante beca Ula era casta Porque de passarinha Era careca. À noite alisava O monte lisinho Co’a lupa procurava Um tênue fiozinho Que há tempos avistara. Ó céus! Exclamava. Por que me fizeram Tão farta de cabelos Tão careca nos meios? E chorava. Um dia… Passou pelo reino …

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