Tag: poema de Machado de Assis

Dec 14

A mosca azul – Poema de Machado de Assis

Era uma mosca azul, asas de ouro e granada, Filha da China ou do Indostão, Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada, Em certa noite de verão. E zumbia, e voava, e voava, e zumbia, Refulgindo ao clarão do sol E da lua, – melhor do que refulgiria Um brilhante do Grão-Mogol. Um …

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Dec 14

Pálida Elvira – Poema de Machado de Assis

Ulisse, jeté sur les rives d’Ithaque, ne les reconnaît pas et pleure sa patrie. Ainsi l’homme dans le bonheur possédé ne reconnaît pas son rêve et soupire. Daniel Stern. I Quando, leitora amiga, no ocidente Surge a tarde esmaiada e pensativa; E entre a verde folhagem rescendente Lânguida geme a viração lasciva; E já das …

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Nov 16

Cantiga do rosto branco – Poema de Machado de Assis

Rico era o rosto branco; armas trazia, E o licor que devora e as finas telas; Na gentil Tibeima os olhos pousa, E amou a flor das belas. “Quero-te!” disse à cortesã da aldeia; “Quando, junto de ti, teus olhos miro, A vista se me turva, as forças perco, E quase, e quase expiro. “E …

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Jan 14

Quando ela fala – Poema de Machado de Assis

She speaks! Oh, speak again, bright angel! Shakespeare Quando ela fala, parece Que a voz da brisa se cala; Talvez um anjo emudece Quando ela fala. Meu coração dolorido As suas mágoas exala. E volta ao gozo perdido Quando ela fala. Pudesse eu eternamente, Ao lado dela, escutá-la, Ouvir sua alma inocente Quando ela fala. …

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Jan 04

A visão de Jaciúca – Poema de Machado de Assis

Prestes de novo a batalhar, chegavam Os valentes guerreiros. Mas onde ele, O duro chefe da indomável tribo, O senhor das montanhas? Afirmava Tatupeba que o vira, antes da aurora, Erguer-se, e ao longo do vizinho rio, Por algum tempo caminhar calado, Como se o abafara um pensamento E lhe impedira o sono. Vão receio …

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Dec 23

O Verme – Poema de Machado de Assis

Existe uma flor que encerra Celeste orvalho e perfume. Plantou-a em fecunda terra Mão benéfica de um nume. Um verme asqueroso e feio, Gerado em lodo mortal, Busca esta flor virginal E vai dormir-lhe no seio. Morde, sangra, rasga e mina, Suga-lhe a vida e o alento; A flor o cálix inclina; As folhas, leva-as …

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Nov 17

Sombras – Poema de Machado de Assis

Quando, assentada, à noite, a tua fronte inclinas, E cerras descuidada as pálpebras divinas, E deixas no regaço as tuas mãos cair, E escutas sem falar, e sonhas sem dormir, Acaso uma lembrança, um eco do passado, Em teu seio revive? O túmulo fechado Da ventura que foi, do tempo que fugiu, Por que razão, …

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Nov 10

Os Arlequins – Poema de Machado de Assis

Sátira – 1864 Que deviendra dans l’éternité l’âme d’un homme qui a fait Polichinelle toute sa vie? Mme. De Staël Musa, depõe a lira! Cantos de amor, cantos de glória esquece! Novo assunto aparece Que o gênio move e a indignação inspira. Esta esfera é mais vasta, E vence a letra nova a letra antiga! …

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Oct 29

A flor do embiruçu – Poema de Machado de Assis

Noite, melhor que o dia, quem não te ama? FIL. ELIS. Quando a noturna sombra envolve a terra E à paz convida o lavrador cansado, À fresca brisa o seio delicado A branca flor do embiruçu descerra. E das límpidas lágrimas que chora A noite amiga, ela recolhe alguma; A vida bebe na ligeira bruma, …

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Oct 27

A morte no Calvário – Poema de Machado de Assis

Semana Santa, 1858 Ao meu amigo o padre Silveira sarmento Consummatum est! I Ei-lo, vai sobre o alto Calvário Morrer piedoso e calmo em uma cruz! Povos! naquele fúnebre sudário Envolto vai um sol de eterna luz! Ali toda descansa a humanidade; É o seu salvador, o seu Moisés! Aquela cruz é o sol da …

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