Tag Archives: poesia brasileira

Leilão de Jardim – poema de Cecília Meireles

Quem me compra um jardim com flores? borboletas de muitas cores, lavadeiras e passarinhos, ovos verdes e azuis nos ninhos? Quem me compra este caracol? Quem me compra um raio de sol? Um lagarto entre o muro e a hera, uma estátua da Primavera? Quem me compra este formigueiro? E este sapo, que é jardineiro?… Read More »

Uma Palmada Bem Dada – poema de Cecília Meireles

É a menina manhosa Que não gosta da rosa, Que não quer A borboleta Porque é amarela e preta, Que não quer maçã nem pêra Porque tem gosto de cera, Porque não toma leite Porque lhe parece azeite, Que mingau não toma Porque é mesmo goma, Que não almoça nem janta porque cansa a garganta,… Read More »

De Que São Feitos os Dias? – poema de Cecília Meireles

De que são feitos os dias? – De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças. Entre mágoas sombrias, momentâneos lampejos: vagas felicidades, inactuais esperanças. De loucuras, de crimes, de pecados, de glórias – do medo que encadeia todas essas mudanças. Dentro deles vivemos, dentro deles choramos, em duros desenlaces e em sinistras alianças…

Os Homens Gloriosos – poema de Cecília Meireles

Sentei-me sem perguntas à beira da terra, e ouvi narrarem-se casualmente os que passavam. Tenho a garganta amarga e os olhos doloridos: deixai-me esquecer o tempo, inclinar nas mãos a testa desencantada, e de mim mesma desaparecer, — que o clamor dos homens gloriosos cortou-me o coração de lado a lado. Pois era um clamor… Read More »

Não te Fies do Tempo nem da Eternidade – poema de Cecília Meireles

Não te fies do tempo nem da eternidade que as nuvens me puxam pelos vestidos, que os ventos me arrastam contra o meu desejo. Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te vejo! Não demores tão longe, em lugar tão secreto, nácar de silêncio que o mar comprime, ó lábio, limite… Read More »