Tag: poesia brasileira

Apr 05

Leilão de Jardim – poema de Cecília Meireles

Quem me compra um jardim com flores? borboletas de muitas cores, lavadeiras e passarinhos, ovos verdes e azuis nos ninhos? Quem me compra este caracol? Quem me compra um raio de sol? Um lagarto entre o muro e a hera, uma estátua da Primavera? Quem me compra este formigueiro? E este sapo, que é jardineiro? …

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Apr 05

Uma Palmada Bem Dada – poema de Cecília Meireles

É a menina manhosa Que não gosta da rosa, Que não quer A borboleta Porque é amarela e preta, Que não quer maçã nem pêra Porque tem gosto de cera, Porque não toma leite Porque lhe parece azeite, Que mingau não toma Porque é mesmo goma, Que não almoça nem janta porque cansa a garganta, …

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Apr 05

De Que São Feitos os Dias? – poema de Cecília Meireles

De que são feitos os dias? – De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças. Entre mágoas sombrias, momentâneos lampejos: vagas felicidades, inactuais esperanças. De loucuras, de crimes, de pecados, de glórias – do medo que encadeia todas essas mudanças. Dentro deles vivemos, dentro deles choramos, em duros desenlaces e em sinistras alianças…

Apr 05

A Amiga Deixada – poema de Cecília Meireles

Antiga cantiga da amiga deixada. Musgo da piscina, de uma água tão fina, sobre a qual se inclina a lua exilada. Antiga cantiga da amiga chamada. Chegara tão perto! Mas tinha, decerto, seu rosto encoberto… Cantava — mais nada. Antiga cantiga da amiga chegada. Pérola caída na praia da vida: primeiro, perdida e depois — …

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Apr 05

Epitáfio – poema de Cecília Meireles

Ainda correm lágrimas pelos teus grisalhos, tristes cabelos, na terra vã desintegrados, em pequenas flores tornados. Todos os dias estás viva, na soledade pensativa, ó simples alma grave e pura, livre de qualquer sepultura! E não sou mais do que a menina que a tua antiga sorte ensina. E caminhamos de mão dada pelas praias …

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Apr 05

Sem Corpo Nenhum – poema de Cecília Meireles

Sem corpo nenhum, como te hei de amar? — Minha alma, minha alma, tu mesma escolheste esse doce mal! Sem palavra alguma, como o hei de saber? — Minha alma, minha alma, tu mesma desejas o que não se vê! Nenhuma esperança me dás, nem te dou: — Minha alma, minha alma, eis toda a …

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Apr 05

Os Homens Gloriosos – poema de Cecília Meireles

Sentei-me sem perguntas à beira da terra, e ouvi narrarem-se casualmente os que passavam. Tenho a garganta amarga e os olhos doloridos: deixai-me esquecer o tempo, inclinar nas mãos a testa desencantada, e de mim mesma desaparecer, — que o clamor dos homens gloriosos cortou-me o coração de lado a lado. Pois era um clamor …

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Apr 05

Canção do Amor-Perfeito – poema de Cecília Meireles

Eu vi o raio de sol beijar o outono. Eu vi na mão dos adeuses o anel de ouro. Não quero dizer o dia. Não posso dizer o dono. Eu vi bandeiras abertas sobre o mar largo e ouvi cantar as sereias. Longe, num barco, deixei meus olhos alegres, trouxe meu sorriso amargo. Bem no …

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Apr 05

Não te Fies do Tempo nem da Eternidade – poema de Cecília Meireles

Não te fies do tempo nem da eternidade que as nuvens me puxam pelos vestidos, que os ventos me arrastam contra o meu desejo. Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te vejo! Não demores tão longe, em lugar tão secreto, nácar de silêncio que o mar comprime, ó lábio, limite …

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Apr 05

O Tempo Seca o Amor – poema de Cecília Meireles

O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a saudade, seca as lembranças e as lágrimas. Deixa algum retrato, apenas, vagando seco e vazio como estas conchas das praias. O tempo seca o desejo e suas velhas …

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