Venho de Tempos Antigos – Poema de Hilda Hilst

By | 15 de março de 2015

Deus pode ser a grande noite escura
E de sobremesa
O flambante sorvete de cereja.

Deus: Uma superfície de gelo ancorada no riso.

Venho de tempos antigos. Nomes extensos:
Vaz Cardoso, Almeida Prado
Dubayelle Hilst… eventos.
Venho de tuas raízes, sopros de ti.
E amo-te lassa agora, sangue, vinho
Taças irreais corroídas de tempo.
Amo-te como se houvesse o mais e o descaminho.
Como se pisássemos em avencas
E elas gritassem, vítimas de nós dois:
Intemporais, veementes.
Amo-te mínima como quem quer MAIS
Como quem tudo adivinha:
Lobo, lua, raposa e ancestrais.
Dize de mim: És minha.

Texto extraído do encarte à edição de “Cadernos da Literatura Brasileira”, editado pelo Instituto Moreira Salles – São Paulo, número 8 – Outubro de 1999.

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