Category Archives: Ana Cristina Cesar

Instruções de Bordo – Ana Cristina Cesar

Pirataria em pleno ar. A faca nas costelas da aeromoça. Flocos despencando pelos cantos dos lábios e casquinhas que suguei atrás da porta. Ser a greta, o garbo, a eterna liu-chiang dos postais vermelhos. Latejar os túneis lua azul celestial azul. Degolar, atemorizar, apertar o cinto o senso a mancha roxa na coxa: calores lunares,… Read More »

Protuberância – Ana Cristina Cesar

Este sorriso que muitos chamam de boca É antes um chafariz, uma coisa louca Sou amativa antes de tudo Embora o mundo me condene Devo falar em nariz(as pontas rimam por dentro) Se nos determos amanhã Pelo menos não haverá necessidades frugais nos espreitando Quem me emprestar seu peito ma madrugada E me consolar, talvez… Read More »

O nome do gato assegura minha vigília – Ana Cristina Cesar

O nome do gato assegura minha vigíliae morde meu pulso distraídofinjo escrever gato, digo: pupilas, focinhose patas emergentes. Mas onde repousa o nome, ataque e fingimento,estou ameaçada e repetidae antecipada pela espreita meio adormecidado gato que riscaste por te preceder e perder em traços a visão contíguade coisa que surge aos saltosno tempo, ameaçando de… Read More »

Correspondência completa – Ana Cristina Cesar

My dear, Chove a cântaros. Daqui de dentro penso sem parar nos gatos pingados. Mãos e pés frios sob controle. Notícias imprecisas, fique sabendo. É de propósito? Medo de dar bandeira? Ouça muito Roberto: quase chamei você mas olhei para mim mesmo etc. Já tirei as letras que você pediu. O dia foi laminha. Célia… Read More »

Sete Chaves – Poema de Ana Cristina Cesar

Vamos tomar chá das cinco e eu te conto minhagrande história passional, que guardei a sete chaves,e meu coração bate incompassado entre gaufrettes.Conta mais essa história, me aconselhas como ummarechal do ar fazendo alegoria. Estou tocada pelofogo. Mais um roman à clé?Eu nem respondo. Não sou dama nem mulhermoderna.Nem te conheço.Então:É daqui que eu tiro… Read More »

Deus na Antecâmara – Poema de Ana Cristina Cesar

Mereço (merecemos, meretrizes) perdão (perdoai-nos, patres conscripti) socorro (correi, valei-nos, santos perdidos) Eu quero me livrar desta poesia infecta beijar mãos sem elos sem tinturas consciências soltas pelos ventos desatando o culto das antecedências sem medo de dedos de dados de dúvidas em prontidão sangüinária (sangue e amor se aconchegando hora atrás de hora) Eu… Read More »

Carta de Paris – Ana Cristina Cesar

I Eu penso em você, minha filha. Aqui lágrimas fracas, dores mínimas, chuvas outonais apenas esboçando a majestade de um choro de viúva, águas mentirosas fecundando campos de melancolia, tudo isso de repente iluminou minha memória quando cruzei a ponte sobre o Sena. A velha Paris já terminou. As cidades mudam mas meu coração está… Read More »