Libertas quae sera tamen – Crônica de Carlos Eduardo Novaes

By | 23/11/2020

Como todos sabem, logo nos primeiros dias do novo Governo o Ceará foi tomado por uma tsunami de violência. Sem conseguir conter os crimes, o Governador Camilo Santana solicitou a presença de tropas federais. Em um primeiro momento seu pedido foi negado provocando uma reunião de emergência com o Capitão no Palácio do Planalto que passamos a relatar.

– Por que os senhor não enviou logo as tropas federais, ministro Moro? – quis saber o ministro da Defesa

Moro escolheu as palavras para responder:

– Bem…O Ceará está no Cinturão Vermelho do Nordeste. O Governador é do PT…

– Sim, e daí? – indagou o ministro Heleno

– O presidente Bolsonaro vive dizendo que precisamos libertar o país do socialismo…

– É verdade – concordou o Capitão

– Mas não é deixando o Ceará pegar fogo – reagiu Heleno – que vamos nos livrar do socialismo.

– E quem me garante – voltou o Capitão – que não foi o próprio Governador vermelho que armou esse banzé para nos criar problemas?

– É uma hipótese! – ponderou o ministro da Defesa

– Vocês sabem como esses socialistas são ardilosos…capazes de tudo – continuou o Capitão

– Uma outra hipótese – acrescentou Heleno, o mais lucido de todos – é que esta violência tenha partido de gente nossa para iniciar a destruição do Cinturão Vermelho…

– Nunca Heleno! Nunca! – rebarbou o Capitão – Nossa gente é de família, os meninos vestem azul, as meninas vestem rosa.

– O fato é que precisamos enviar tropas para lá. O povo cearense não tem culpa do Governador fazer vista grossa – disse o general da Defesa já pensando em guerra – Vamos enviar mil homens, tanques, canhões, carros de combate…

– Tudo isso? – assustou-se Bolsonaro – Negativo. Se ainda fosse para o Dória ou o Witzel, mas para um governador do PT! Vamos mandar 50 homens e olhe lá. Ele que se vire!

– Só 50, presidente? Não vão conter a violência.

– Ótimo! Aí decretamos intervenção federal e tiramos aquele cara de lá.

Depois de muita conversa ficou resolvido que o ministro Moro enviaria 300 homens que permanecerão no Ceará por 30 dias. Bolsonaro queria a permanência por uma semana e foi voto vencido. Saiu da reunião resmungando:

– Trezentos homens por 30 dias??? Assim não vamos conseguir nunca libertar o país do socialismo.

FIM

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