O morcego – Poema de Augusto dos Anjos

By | 08/12/2015

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

“Vou mandar levantar outra parede…”
– Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

augusto-dos-anjos

 







 

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One thought on “O morcego – Poema de Augusto dos Anjos

  1. Jesca

    Matheus014 disse:Na verdade, ele ate9 que mriceea uma este1tua heheheeheheheMas falando se9rio, ele merece sim pois na minha opinie3o, e acho que na opinie3o de muitos, ele e9 um dos melhores diretores desta gerae7e3o. Ele e9 novo e ainda tem muito che3o pra correr mas ele je1 fez todo esse barulho’ com 41 anos, imagine quando ele estiver na idade do Scorsese.

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