Tag Archives: A vida como ela é

Um Caso Perdido – Crônica de Nelson Rodrigues

Esse sujeito não presta! É um bestalhão! Um conversa-fiada! Talvez fosse isso e muito mais. Para começar não trabalha­va, nem queria nada com o trabalho. Além disso, bebia, jogava, vivia metido com desclassificados de ambos os sexos, em pago­des espetaculares. Apontava-se, mesmo, uma fulana, de péssimos antecedentes, que, segundo se dizia, o sustentava. Os parentes de Edgardina tentaram dissuadi-la da paixão inconveniente e es­candalosa: Homem é o que não falta. Escolhe outro, escolhe um que valha a pena.

O Grande Viúvo – Conto de Nelson Rodrigues

Na volta do cemitério, ele falou para a família: — Bem. Quero que vocês saibam o seguinte: — minha mu­lher morreu e eu também vou morrer. Houve em torno um espanto mudo. Os parentes entreolharam-se. O pai do viúvo ergueu-se: — Calma, meu filho, calma! Jair virou-se, violento: — Calma porque a mulher é minha… Read More »

Escorpião de Banheiro – Crônica de Nelson Rodrigues

Viviam como cão e gato. E eram brigas diárias e tremen­das. Numa das vezes, foi até interessante: — Belchior deu um murro, de mão fechada, na testa de Elvira. A pequena virou por cima das cadeiras. Ergueu-se, ainda vesga da pancada e da que­da. Mas não teve dúvidas maiores: — apanhou o aparelho de rádio… Read More »

A mulher das bofetadas – Crônica de Nelson Rodrigues

Chegou atrasado no emprego. Tirava o paletó, quando o Carvalhinho veio avisar: — Olha, telefonaram pra ti. — Homem ou mulher? — Mulher. — Deixou recado? — Não. Disse que telefonava depois. Arregaçando as mangas, bufou: — ok! ok! Uns dez minutos depois, estava pondo em ordem uns papéis, quando o telefone bate novamente. O… Read More »

Os Noivos – Crônica de Nelson Rodrigues

Quando Salviano começou a namorar Edila, o pai o chamou: — Senta, meu filho, senta. Vamos bater um papo. Ele obedeceu: — Pronto, papai. O velho levantou-se. Andou de um lado para outro e senta de novo: — Quero saber, de ti, o seguinte: esse teu namoro é coisa séria? Pra casar? Vermelho, respondeu: —… Read More »

O Pediatra – Crônica de Nelson Rodrigues

Saiu do telefone e anunciou para todo o escritório: — Topou! Topou! Foi envolvido, cercado por três ou quatro companheiros. O Meireles cutuca: — Batata? Menezes abre o colarinho: — “Batatíssima!”. Outro insiste: — Vale? Justifica? Fez um escândalo: — Se vale? Se justifica? Ó rapaz! É a melhor mulher do Rio de Janeiro! Casada… Read More »

A Dama do Lotação – Conto de Nelson Rodrigues

Às dez horas da noite, debaixo de chuva, Carlinhos foi bater na casa do pai. O velho, que andava com a pressão baixa, ruim de saúde como o diabo, tomou um susto: — Você aqui? A essa hora? E ele, desabando na poltrona, com profundíssimo suspiro: — Pois é, meu pai, pois é! — Como… Read More »