Tag Archives: Crônica Brasileira

O Analista de Bagé – Crônica de Luis Fernando Verissimo

Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vem de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas. Mas não adianta. Estas histórias do psicanalista de Bagé são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de… Read More »

Os Moralistas – crônica de Luis Fernando Verissimo

— Você pensou bem no que vai fazer, Paulo? — Pensei. Já estou decidido. Agora não volto atrás. — Olhe lá, hein, rapaz… Paulo está ao mesmo tempo comovido e surpreso com os três amigos. Assim que souberam do seu divórcio iminente, correram para visitá-lo no hotel. A solidariedade lhe faz bem. Mas não entende… Read More »

Homem que é homem – Crônica de Luis Fernando Verissimo

Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser para jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem — de… Read More »

O Recital – crônica de Luis Fernando Verissimo

Uma boa maneira de começar um conto é imaginar uma situação rigidamente formal — digamos, um recital de quarteto de cordas — e depois começar a desfiá-la, como um pulôver velho. Então vejamos. Um recital de quarteto de cordas. O quarteto entra no palco sob educados aplausos da seleta platéia. São três homens e uma… Read More »

O Apito – crônica de Luis Fernando Verissimo

Tudo o que o Mafra dizia, o Dubin duvidava. Eram inseparáveis, mas viviam brigando. Porque o Mafra contava histórias fantásticas e o Dubin sempre fazia aquela cara de conta outra. — Uma vez… — Lá vem história. — Eu nem comecei e você já está duvidando? — Duvidando, não. Não acredito mesmo. — Mas eu… Read More »

A galinha fuzilada – Crônica de Max Nunes

Naquele tempo era coronel. Hoje, passados que são uns anos, deve ser muito mais. Declaro, em seu favor, que foi o militar mais militar que conheci. Morava em Jacarepaguá, em frente à minha casa, e sua família, muito numerosa, era sua tropa, perfeitamente instruída e disciplinada. Na rua, mesmo em passeio, andavam todos de passo… Read More »

A mulher do vizinho – Crônica de Fernando Sabino

Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao… Read More »

Eloquência Singular – Crônica de Fernando Sabino

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou: — Senhor Presidente: eu não sou daqueles que… O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular: — Não sou daqueles que… Não sou daqueles que recusam… No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra… Read More »

O Golpe do Comendador – Crônica de Fernando Sabino

Ele sabia que aquilo ainda ia acabar mal. Ele era noivo, à antiga: pedido oficial, aliança no dedo, casamento marcado, Mas, no ardor da juventude, não se contentava em ter uma noiva em Copacabana: tinha também uma namorada na cidade. Encontravam-se na hora do almoço, ou em algum barzinho do centro, ao cair da tarde,… Read More »