Tag Archives: Crônica de Nelson Rodrigues

Um dia sem assaltos – Crônica de Nelson Rodrigues

Imaginemos que um milionário paulista, não tendo mais o que fazer, resolva contratar um gramático. Seria tempo perdido. Podia anunciar nos classificados: – PRECISA-SE de um gramático etc. etc.”. Não encontraria um. No Brasil de hoje, é mais fácil achar uma girafa do que um gramático. E, no entanto, vejam vocês: – houve um tempo… Read More »

Cemitério de bonecas – Conto de Nelson Rodrigues

Tinha 45 anos e usava ceroulas, dessas que se amarram nas canelas, com duas voltas. Cumprimentava todo mundo, sem distinção de classe, idade ou cor. Essa cordialidade indiscriminada impressionava muitíssimo. Dizia-se dele, de uma maneira entusiasta e unânime: – Aquilo é um santo! E ele: – Faz-se o que se pode! Faz-se o que se… Read More »

A catástrofe – Crônica de Nelson Rodrigues

Um dia, Penteado entra em casa e encontra Clélia com febre. Pediu o termômetro emprestado no vizinho. Findos os três minutos, ergue o termômetro e verifica a temperatura: quarenta graus! Quase caiu para trás. No seu pânico, quis telefonar para a Assistência. Chamaram-no à razão: – Assistência pra febre? Sossega, Penteado, toma jeito! Não faltou… Read More »

A missa de sangue – Crônica de Nelson Rodrigues

Em vida de sua primeira mulher, foi a pérola dos maridos e, sobretudo, um monstro de fidelidade. Saía do trabalho, digamos, às seis horas. Às vezes, parava um segundo, tomava um cafezinho em pé e era só. Pendurava-se no primeiro bonde, com a ideia fixa de chegar em casa. Estavam casados há seis anos. Pois… Read More »

A grande dor não se assoa – Crônica de Nelson Rodrigues

A grande dor não se assoa. Eis uma verdade eterna. Não se assoa. Falei, no capítulo anterior, da senhora do Lemos ou, como era mais conhecido, “Lemos Bexiga”. Com frenética e acrobática agilidade, deu um pulo impossível e caiu montada, solidamente montada, no caixão. Mas não é bem isso que eu queria dizer. O que… Read More »

Flor de laranjeira – Conto de Nelson Rodrigues

Baixou a voz: — Sabe qual é o golpe? — Qual? E ele, com a boca encostada no seu ouvido: — Você mata o serviço hoje e vamos ao cinema. Topas? Hesitou, numa tentação deliciosa. Antes de capitular, porém, bateu na mesma tecla: — Então jura que não és casado, jura. Recuou, quase ofendido: “Mas… Read More »

Um chefe de família – Conto de Nelson Rodrigues

Foi um amigo que chamou sua atenção: — Fulana te dá cada bola tremenda! — Mentira! E o outro veemente: — Palavra de honra! Não tira os olhos de ti! Mas como o amigo fosse quase um débil mental, tido como irresponsável, Anacleto duvidou, ainda: — Estás querendo me pôr máscara! Passou-se, Mas no dia… Read More »