Tag Archives: Crônica de Paulo Mendes Campos

O cafajeste e o transcendente – Crônica de Paulo Mendes Campos

O diálogo perene entre o classicismo e o romantismo é substituído na vida literária atual do Brasil pelo desprezo que se votam o cafajeste e o transcendente. Na futura história literária de nossa época, naturalmente, será esquecida a grita que ambos levantam, que foi sempre a história um reduzir de gritos e vaidades à sua… Read More »

Definição do rapaz – Crônica de Paulo Mendes Campos

Em 1946, Rubem Braga e eu, então moradores de uma casa à rua Júlio de Castilhos, resolvemos estudar inglês. Um anúncio de jornal nos fez decidir sobre o professor. Nós lhe telefonamos, ele veio, combinou-se o preço, aulas três vezes por semana. Tratava-se de um inglês alto, de testa estreita, cinquentão. As aulas, às oito… Read More »

Réquiem para os bares mortos – Crônica de Paulo Mendes Campos

Me perdia muito pelas grutas sombrias dos bares. À noite, conchas iluminadas, a ressoar em profundezas submarinas. Hoje sou um homem derramado. Fugindo à tempestade, entrei uma vez no Nacional, e lá se erguia – portentosa figura – um velho, alto e cavo, a recitar os sonetos de Mallarmé. Foi uma visão dura, hermética, definitiva.… Read More »

A aurora – Crônica de Paulo Mendes Campos

A aurora chegou vestida de cor-de-rosa, passou pela vidraça, passou através de minhas pálpebras, acordou meus olhos. Mas não me acordou a alma, que ficou dorme-dormindo, boba e semi-iluminada. Depois ela, a aurora, foi esvoaçar sobre os telhados, e era como se aquilo estivesse acontecendo no passado. Meus olhos ficaram expiando aquela aurora doida que… Read More »

Meu reino por um pente – Crônica de Paulo Mendes Campos

Filhos – diz o poeta – melhor não tê-los. Já o Professor Aníbal Machado me confiou gravemente que a vida pode ter muito sofrimento, o mundo pode não ter explicação alguma, mas, filhos, era melhor tê-los. A conclusão parece simples, mas não era; Aníbal tinha ido às raízes da vida, e de lá arrancara a… Read More »

Declaração de males – Crônica de Paulo Mendes Campos

Ilmo. Sr. Diretor do Imposto de Renda. Antes de tudo devo declarar que já estou, parceladamente, à venda. Não sou rico nem pobre, como o Brasil, que também precisa de boa parte do meu dinheirinho. Pago imposto de renda na fonte e no pelourinho. Marchei em colégio interno durante seis anos mas nunca cheguei ao… Read More »

Salvo pelo Flamengo – Crônica de Paulo Mendes Campos

Desde garotinho que não sou Flamengo, mas tenho pelo clube da Gávea um dívida séria, que torno pública neste escrito. Em 1956, passei uma semana em Estocolmo, hospedado em um hotel chamado Aston. Era primavera, pelo menos teoricamente, havia um congresso internacional na cidade, os hotéis estavam lotados, criando contratempos para turistas do interior ou… Read More »