Tag Archives: Óbvio ululante Nelson Rodrigues

O único negro do Brasil – Crônica de Nelson Rodrigues

É um túmulo que dorme não sei onde. Talvez na Alema­nha, talvez na Áustria. Mas não importa a terra. O que importa é a solidão da palavra. Lá está escrito: — “Rosa, pura contradi­ção / Volúpia de ser o sono de ninguém / Sob tantas pálpebras”. E o epitáfio que Rainer Maria Rilke teceu para… Read More »

Apelo de uma fé perdida – Crônica de Nelson Rodrigues

Imagino a seguinte cena: — d. Hélder chega à janela e olha o céu. No verso do Chico Buarque não há janela intranscendente, e explico: — qualquer janela nos põe em relação direta, fulminante, com o infinito. Assim está certo o poeta popular. É preciso usar as janelas com larga e cálida abundância. Mas volto… Read More »

O septuagenário nato – Crônica de Nelson Rodrigues

Não sei se falei aqui do personagem de Gogol. Era um sujeito fabuloso. Basta dizer: — nasceu de sapatos, guarda-chuva e já funcionário. A parteira, gorda e cheia de varizes como uma viúva machadiana, caiu para trás, com ataque. O próprio recém-nascido é que a acudiu e lhe deu, em ambas as faces, dois ou… Read More »

Um menino de paixões de ópera – Conto de Nelson Rodrigues

Bem me lembro dos meus cinco, seis anos. O vizinho era, então, todo o meu horizonte humano. Ainda vejo as pessoas que moravam ao nosso lado, ou em frente, ou na esquina. Os sujeitos se cumprimentavam assim: — “Bom dia, vizinho. Co­mo vai, vizinho?”. E a simples palavra tinha uma tensão, um frêmito, uma magia.… Read More »

Era bonito ser histérica – Conto de Nelson Rodrigues

“Beijarei o punhal que matar Pinheiro Machado” — soluçou o orador. E, realmente, enfiou a mão no colete, ou cinto, e de lá arrancou, com ágil ferocidade, o punhal homicida. Logo, à vista de todos, beijou, chorando, o punhal. As lágrimas deslizavam pela face cava. E o orador, prolongando o efeito cênico, ainda ficou, por… Read More »