Tag Archives: poema de Machado de Assis

A Francisca – Poema de Machado de Assis

Nunca faltaram aos poetas (quando Poetas são de veia e de arte pura), Para cantar a doce formosura, Rima canora, verso meigo e brando. Mas eu triste poeta miserando, Só tenho áspero verso e rima dura; Em vão minh’alma sôfrega procura Aqueles sons que outrora achava em bando. Assim, gentil Francisca delicada, Não achando uma… Read More »

Musa dos olhos verdes – Poema de Machado de Assis

Musa dos olhos verdes, musa alada, Ó divina esperança, Consolo do ancião no extremo alento, E sonho da criança; Tu que junto do berço o infante cinges Cos fúlgidos cabelos; Tu que transformas em dourados sonhos Sombrios pesadelos; Tu que fazes pulsar o seio às virgens; Tu que às mães carinhosas Enches o brando, tépido… Read More »

A uma senhora que me pediu versos – poema de Machado de Assis

Pensa em ti mesma, acharás Melhor poesia, Viveza, graça, alegria, Doçura e paz. Se já dei flores um dia, Quando rapaz, As que ora dou têm assaz Melancolia. Uma só das horas tuas Valem um mês Das almas já ressequidas. Os sóis e as luas Creio bem que Deus os fez Para outras vidas.  … Read More »

Soneto circular – Machado de Assis

A bela dama ruiva e descansada, De olhos longos, macios e perdidos, C’um dos dedos calçados e compridos Marca a recente página fechada. Cuidei que, assim pensando, assim colada Da fina tela aos flóridos tecidos, Totalmente calados os sentidos, Nada diria, totalmente nada. Mas, eis da tela se despega e anda, E diz-me: — “Horácio,… Read More »

Dai à obra de Marta um pouco de Maria – Poema de Machado de Assis

Dai à obra de Marta um pouco de Maria, Dai um beijo de sol ao descuidado arbusto; Vereis neste florir o tronco erecto e adusto, E mais gosto achareis naquela e mais valia. A doce mãe não perde o seu papel augusto, Nem o lar conjugal a perfeita harmonia. Viverão dous aonde um até ‘qui… Read More »

Círculo vicioso – Poema de Machado de Assis

Bailando no ar, gemia inquieto vagalume: “Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela Que arde no eterno azul, como uma eterna vela! “Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme: “Pudesse eu copiar-te o transparente lume, Que, da grega coluna à gótica janela, Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela “Mas a lua,… Read More »