A Russa do Maneco – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Todos ficaram muito intrigados quando o Maneco, logo o Maneco, apareceu com uma russa. Em pouco tempo “a russa do Maneco” se tornou o assunto principal da turma. Todas as conversas, cedo ou tarde, acabavam na frase “E a russa do Maneco?” e daí em diante não se falava em outra coisa. E, claro, quando … Ler mais

A Mulher do Vizinho – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Sérgio abriu a porta e era a mulher do vizinho. A fantástica mulher do vizinho. A fantástica mulher do vizinho dizendo “Oi”. A fantástica mulher do vizinho perguntando, depois do “Oi”, se podia pegar uma toalha que tinha voado da sacada deles. “Sabe, o vento” – para a sacada dele. – Entre, entre, disse o … Ler mais

A invenção do milênio – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Qual foi a maior invenção do milênio? Minha opinião mudou com o tempo. Já pensei que foi o sorvete, que foi a corrente elétrica, que foi o antibiótico, que foi o sufrágio universal, mas hoje ― mais velho e mais vivido ― sei que foi a escada rolante. Para muitas pessoas, no entanto, a invenção … Ler mais

A Famosa Samanta – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

– Quer dizer que eu finalmente vou conhecer a famosa Samanta… ― disse Gustavo. – Você vai amar a Samanta, Gu! ― disse Suzaninha. Suzaninha não parara de sorrir desde que recebera o telefonema da irmã dizendo que chegaria no dia seguinte e ficaria com eles. Samanta não era apenas sua irmã mais velha. Era … Ler mais

O homem trocado – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem. – Tudo perfeito – diz a enfermeira, sorrindo. – Eu estava com medo desta operação… – Por quê? Não havia risco nenhum. – Comigo, sempre há risco. Minha … Ler mais

Provocações – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

“A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão. Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada … Ler mais

Futebol de rua – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Pelada é o futebol de campinho, de terreno baldio. Mas existe um tipo de futebol ainda mais rudimentar do que a pelada. É o futebol de rua. Perto do futebol de rua qualquer pelada é luxo e qualquer terreno baldio é o Maracanã em jogo noturno. Se você é homem, brasileiro e criado em cidade, … Ler mais

Ed Mort vai longe – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Mort. Ed Mort. Detetive particular. É o que está escrito na plaqueta. Meu escritório fica numa galeria de Copacabana. Entre um fotógrafo que anuncia “Fazemos os maiores 3 x 4 da praça” e uma escola de cabeleireiros. Lugar perigoso. Aqui ninguém diz mais “Isto é um assalto”. Diz “É outro”. O número de baratas na … Ler mais

Ed Mort e o anjo barroco – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Durante meses ninguém entrara no meu escri – escritório é uma palavra grande demais para descrevê-lo – a não ser cobradores, que eram expulsos sob ameaças de morte ou coisa pior. De repente, começou o movimento. Entrava gente o dia inteiro. Gente diferente. Até as baratas* estranharam … Ler mais

Outra carta da Dorinha – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha, como se sabe, não revela sua idade para ninguém, mas nega que já viu o Cometa Halley passar duas vezes. Só o Pitanguy e Deus sabem a sua verdadeira idade, e um está aposentado e o outro está quase. Dorinha tem se reunido com o seu grupo … Ler mais

O estranho procedimento de dona Dolores – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Começou na mesa do almoço. A família estava comendo — pai, mãe, filho e filha — e de repente a mãe olhou para o lado, sorriu e disse: — Para a minha família, só serve o melhor. Por isso eu sirvo arroz Rizobon. Rende mais e é mais gostoso. O pai virou-se rapidamente na cadeira … Ler mais

A metamorfose – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel.