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Canção da Moça-Fantasma de Belo Horizonte – Poema de Carlos Drummond de Andrade

Eu sou a Moça-Fantasmaque espera na Rua do Chumboo carro da madrugada.Eu sou branca e longa e fria, a minha carne é um suspirona madrugada da serra.Eu sou a Moça-Fantasma. O meu nome era Maria,Maria-Que-Morreu-Antes. Sou a vossa namoradaque morreu de apendicite,no desastre de automóvelou suicidou-se na praiae seus cabelos ficaramlongos na vossa lembrança.Eu nunca… Read More »

O moleque – Conto de Lima Barreto

Reclus, na sua Geografia Universal tratando do Brasil, notava a necessidade de conservarmos os nomes tupis dos lugares de uma terra. Têm eles, diz o grande geógrafo, a vantagem de possuir quase todos um sentido claro, muito claro, nas suas palavras, exprimindo algum fato da natureza, a cor das águas correntes, a altura, a forma… Read More »

História de quinze séculos – Artigo de Olavo de Carvalho

Desmantelado o Império, as igrejas disseminadas pelo território tornaram-se os sucedâneos da esfrangalhada administração romana. Na confusão geral, enquanto as formas de uma nova época mal se deixavam vislumbrar entre as névoas do provisório, os padres tornaram-se cartorários, ouvidores e alcaides. As sementes da futura aristocracia européia germinaram no campo de batalha, na luta contra… Read More »

O cafajeste e o transcendente – Crônica de Paulo Mendes Campos

O diálogo perene entre o classicismo e o romantismo é substituído na vida literária atual do Brasil pelo desprezo que se votam o cafajeste e o transcendente. Na futura história literária de nossa época, naturalmente, será esquecida a grita que ambos levantam, que foi sempre a história um reduzir de gritos e vaidades à sua… Read More »

Definição do rapaz – Crônica de Paulo Mendes Campos

Em 1946, Rubem Braga e eu, então moradores de uma casa à rua Júlio de Castilhos, resolvemos estudar inglês. Um anúncio de jornal nos fez decidir sobre o professor. Nós lhe telefonamos, ele veio, combinou-se o preço, aulas três vezes por semana. Tratava-se de um inglês alto, de testa estreita, cinquentão. As aulas, às oito… Read More »

Meu Deus, me dê a coragem – Poema de Clarice Lispector

Meu Deus, me dê a coragemde viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,todos vazios de Tua presença.Me dê a coragem de considerar esse vaziocomo uma plenitude.Faça com que eu seja a Tua amante humilde,entrelaçada a Ti em êxtase.Faça com que eu possa falarcom este vazio tremendoe receber como respostao amor materno que nutre… Read More »