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Descrição da Cidade de Sergipe D’el-Rei – Poema de Gregório de Matos

Três dúzias de casebres remendados, Seis becos, de mentrastos entupidos, Quinze soldados, rotos e despidos, Doze porcos na praça bem criados. Dois conventos, seis frades, três letrados, Um juiz, com bigodes, sem ouvidos, Três presos de piolhos carcomidos, Por comer dois meirinhos esfaimados. As damas com sapatos de baeta, Palmilha de tamanca como frade, Saia… Read More »

Ciao – Crônica de Carlos Drummond de Andrade

Há 64 anos, um adolescente fascinado por papel impresso notou que, no andar térreo do prédio onde morava, um placar exibia a cada manhã a primeira página de um jornal modestíssimo, porém jornal. Não teve dúvida. Entrou e ofereceu os seus serviços ao diretor, que era, sozinho, todo o pessoal da redação. O homem olhou-o,… Read More »

O homem trocado – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem. – Tudo perfeito – diz a enfermeira, sorrindo. – Eu estava com medo desta operação… – Por quê? Não havia risco nenhum. – Comigo, sempre há risco. Minha… Read More »

A literatura de ficção morreu? – Texto de Rubem Fonseca

Muito antes de publicar o meu primeiro livro eu já ouvia dizer que o romance e o conto estavam mortos. Parece que a primeira morte teria sido anunciada ainda em 1880, não obstante, como todos sabem, Emily Dickinson, Tchekov, Proust, Joyce, Kafka, Maupassant, Henry James, o nosso Machado, Eça, Mallarmé, as Bronte, Fernando Pessoa (um… Read More »

Nesta ausência – Poema de Gilka Machado

Nesta ausência que me excita,tenho-te, à minha vontade,numa vontade infinita…Distância, sejas bendita!Bendita sejas, saudade! Teu nome lindo…Ao dizê-loqueimo os lábios, meu amor! O teu nome é um setestrelona noite da minha dor. Nunca digas com firmezaque a mágoa apenas crucia:a saudade é uma tristeza,que nos dá tanta alegria! Passo horas calada e queda,a rever, a… Read More »

Esboço – Poema de Gilka Machado

Teus lábios inquietospelo meu corpoacendiam astros…e no corpo da mataos pirilamposde quando em quando,insinuavamfosforecentes carícias…e o corpo do silêncio estremecia,chocalhava,com os guizosdo cri-cri osculantedos grilos que imitavama música de tua boca…e no corpo da noiteas estrelas cantavamcom a voz trêmula e rútilade teus beijos 147 Visualizações

Fábula dos dois leões – Stanislaw Ponte Preta

Diz que eram dois leões que fugiram do Jardim Zoológico. Na hora da fuga cada um tomou um rumo, para despistar os perseguidores. Um dos leões foi para as matas da Tijuca e outro foi para o centro da cidade. Procuraram os leões de todo jeito mas ninguém encontrou. Tinham sumido, que nem o leite.… Read More »