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A literatura de ficção morreu? – Texto de Rubem Fonseca

Muito antes de publicar o meu primeiro livro eu já ouvia dizer que o romance e o conto estavam mortos. Parece que a primeira morte teria sido anunciada ainda em 1880, não obstante, como todos sabem, Emily Dickinson, Tchekov, Proust, Joyce, Kafka, Maupassant, Henry James, o nosso Machado, Eça, Mallarmé, as Bronte, Fernando Pessoa (um… Read More »

Nesta ausência – Poema de Gilka Machado

Nesta ausência que me excita,tenho-te, à minha vontade,numa vontade infinita…Distância, sejas bendita!Bendita sejas, saudade! Teu nome lindo…Ao dizê-loqueimo os lábios, meu amor! O teu nome é um setestrelona noite da minha dor. Nunca digas com firmezaque a mágoa apenas crucia:a saudade é uma tristeza,que nos dá tanta alegria! Passo horas calada e queda,a rever, a… Read More »

Esboço – Poema de Gilka Machado

Teus lábios inquietospelo meu corpoacendiam astros…e no corpo da mataos pirilamposde quando em quando,insinuavamfosforecentes carícias…e o corpo do silêncio estremecia,chocalhava,com os guizosdo cri-cri osculantedos grilos que imitavama música de tua boca…e no corpo da noiteas estrelas cantavamcom a voz trêmula e rútilade teus beijos 53 Visualizações

Fábula dos dois leões – Stanislaw Ponte Preta

Diz que eram dois leões que fugiram do Jardim Zoológico. Na hora da fuga cada um tomou um rumo, para despistar os perseguidores. Um dos leões foi para as matas da Tijuca e outro foi para o centro da cidade. Procuraram os leões de todo jeito mas ninguém encontrou. Tinham sumido, que nem o leite.… Read More »

Do diário de um homem de letras – Artigo de João Ubaldo Ribeiro

Que frase de Proust me ocorreu, enquanto distraidamente fazia a barba? Nenhuma, muito menos um verso de Mallarmé (preciso decorar um urgentemente, sou amigo do poeta Geraldo Carneiro e passo muita vergonha com a erudição dele). Mas aproveito que ainda não amanheceu e taco um verso – ou dois, não me lembro bem – de… Read More »

A aurora – Crônica de Paulo Mendes Campos

A aurora chegou vestida de cor-de-rosa, passou pela vidraça, passou através de minhas pálpebras, acordou meus olhos. Mas não me acordou a alma, que ficou dorme-dormindo, boba e semi-iluminada. Depois ela, a aurora, foi esvoaçar sobre os telhados, e era como se aquilo estivesse acontecendo no passado. Meus olhos ficaram expiando aquela aurora doida que… Read More »

Uma loureira – Conto de Machado de Assis

I Havia grande agitação em casa do comendador Nunes, em certa noite de abril de 1860. Não era comendador o sr. Nicolau Nunes, era apenas oficial da Ordem da Rosa, mas todos lhe davam o título de comendador, e o sr. Nunes não resistia a esta deliciosa falsificação. A princípio reclamou sorrindo contra a liberdade… Read More »