Category Archives: Conto

Deus e o Diabo – Conto de Rubem Fonseca

Avenida Atlântica. Senti meu ombro sendo tocado. Era M. “Você sumiu”, disse M. “Deixou de…” “Comprei um sítio na Serra com duas nascentes dentro da propriedade e agora estou criando rãs.” “Criando rãs? Aquela espécie de sapo?” “São muito diferentes. Os sapos preferem viver em terra firme e só procuram locais aquáticos quando vão se… Read More »

O Brinco de Pérola – Conto de Rubem Fonseca

Nunca quis receber adiantamento, isso que no métier literário se chama advance. Mas recebi para escrever um conto. Escrever é uma coisa simples e fácil, é usar sinais (letras, palavras etc.) para exprimir uma ideia, um conhecimento, uma informação, uma opinião, um plano. Mas neste momento, e já há algum tempo, não tenho nenhuma ideia… Read More »

Na pontinha da orelha – Conto de Dalton Trevisan

Nelsinho abriu o portão, equilibrou-se nos tijolos soltos e, diante da porta, conchegado no saco de estopa, onde limpava os pés, deu com o Paxá. Tarde o cachorro descobriu que era ele, havia rolado os três degraus com o pontapé. Velho e doente, nem rosnou, apenas gemeu de dor; tremulo, arrastando a perna, perdeu-se no… Read More »

Contos dos bosques de Curitiba – Dalton Trevisan

NELSINHO encostou a porta, encurralada a moça no canto: – É hoje. Roçou a sombra do lábio, a espinha na asa do nariz. Ela voltou-lhe a face: beijou-a ferozmente na boca. Fechou a porta, empurrando-a com o pé. Certa que iriam ficar nos toques e blandícias, pendurou-se ao seu pescoço. Pousou a mão no peitinho,… Read More »

O herói perdido – Conto de Dalton Trevisan

Essa criatura não me tira os olhos. Coragem da fulaninha, acompanhada como está! Verdade, alguns tipos não ligam. São eles que as empurram nos braços do outro – isso os excita. Acabei o meu caso com a Lili, não sei se sabia. Quero descanso por algum tempo. Não olhe agora. Me comendo com os olhos.… Read More »

Visita à professora – Conto de Dalton Trevisan

Girando o pacote no laço do barbante azul, Nelsinho deteve-se diante do prédio esquálido. Conferiu o endereço no embrulho – o santíssimas mães de Curitiba! Ao longo do corredor sinistro, o bafio do lixo nos cantos. Que dona Alice não estivesse em casa – quatro da tarde, escolhida a hora de propósito – e, limpo… Read More »