Category Archives: Conto

O espartilho – Conto de Lygia Fagundes Telles

Tudo era harmonioso, sólido, verdadeiro. No princípio. As mulheres, principalmente as mortas do álbum, eram maravilhosas. Os homens, mais maravilhosos ainda, ah, difícil encontrar família mais perfeita. A nossa família, dizia a bela voz de contralto da minha avó. Na nossa família, frisava, lançando em redor olhares complacentes, lamentando os que não faziam parte do… Read More »

Missa do Galo – Conto de Lygia Fagundes Telles

(Variações sobre o mesmo tema) Chegamos a ficar algum tempo — não posso dizer quanto — inteiramente catados. Missa do Galo, MACHADO DE ASSIS Encosto a cara na noite e vejo a casa antiga. Os móveis estão arrumados em círculo, favorecendo as conversas amenas, é uma sala de visitas. O canapé, peça maior. O espelho.… Read More »

A confissão de Leontina – Conto de Lygia Fagundes Telles

Já contei esta história tantas vezes e ninguém quis me acreditar. Vou agora contar tudo especialmente pra senhora que se não pode ajudar pelo menos não fica me atormentando como fazem os outros. É que eu não sou mesmo essa uma que toda gente diz. O jornal me chama de assassina ladrona e tem um… Read More »

Deus e o Diabo – Conto de Rubem Fonseca

Avenida Atlântica. Senti meu ombro sendo tocado. Era M. “Você sumiu”, disse M. “Deixou de…” “Comprei um sítio na Serra com duas nascentes dentro da propriedade e agora estou criando rãs.” “Criando rãs? Aquela espécie de sapo?” “São muito diferentes. Os sapos preferem viver em terra firme e só procuram locais aquáticos quando vão se… Read More »

O Brinco de Pérola – Conto de Rubem Fonseca

Nunca quis receber adiantamento, isso que no métier literário se chama advance. Mas recebi para escrever um conto. Escrever é uma coisa simples e fácil, é usar sinais (letras, palavras etc.) para exprimir uma ideia, um conhecimento, uma informação, uma opinião, um plano. Mas neste momento, e já há algum tempo, não tenho nenhuma ideia… Read More »

Na pontinha da orelha – Conto de Dalton Trevisan

Nelsinho abriu o portão, equilibrou-se nos tijolos soltos e, diante da porta, conchegado no saco de estopa, onde limpava os pés, deu com o Paxá. Tarde o cachorro descobriu que era ele, havia rolado os três degraus com o pontapé. Velho e doente, nem rosnou, apenas gemeu de dor; tremulo, arrastando a perna, perdeu-se no… Read More »