Category Archives: Conto

O crânio calvo – Conto de Nelson Rodrigues

A mãe resolveu pôr a questão em pratos limpos: – Vem cá, minha filha, vem cá! Passando a escova nos cabelos, Julinha aproximou-se: – Pronto, mamãe. D. Matilde, que era uma gorda senhora, de busto imenso, indescritível, não sabe por onde começar. Finalmente, toma coragem: – Quero que você me explique uma coisa, você gosta… Read More »

Morte pela boca – Conto de Nelson Rodrigues

Qualquer impontualidade o irritava. Quando chegou, com um atraso de meia hora, Egberto explodiu: – Demoraste, puxa! Luíza pôs a bolsa em cima da mesa, arrancou as luvas, sentou-se, nervosa, zangada. – Quase não vim! – Por quê? Ergue-se, possessa: – Por causa do animal do meu marido! Ah, sujeitinho asqueroso! Imagina tu: não foi… Read More »

A doença de Alexandre – Conto de Graciliano Ramos

– Como vai, seu Alexandre? Que estrago foi esse? perguntou mestre Gaudêncio à porta da camarinha. – Macacoas da idade, suspirou o doente. Na beira da cova desde a semana passada. Tomei a purga de pinhão que o senhor me ensinou. Entre, seu Gaudêncio, vá-se abancando. Tomei a purga de pinhão e uns xaropes. Depois… Read More »

A espingarda de Alexandre – Conto de Graciliano Ramos

– Os senhores querem saber como se deu esse caso do veado, uma história que apontei outro dia? perguntou Alexandre às visitas, um domingo, no copiar. Ora muito bem. Olhem aquele monte ali na frente. É longe, não é? – Muito longe, respondeu o cego preto Firmino. – Como é que o senhor sabe, seu… Read More »

História de uma guariba – Conto de Graciliano Ramos

– Um domingo destes, contou Alexandre aos amigos, vesti o guarda-peito e o gibão, cobri-me com o chapéu de couro, acendi o cachimbo, pus o aió a tiracolo, peguei a espingarda, resolvido a desenferrujá-la, se aparecesse caça graúda. Saí pelo terreiro, dei umas voltas nos arredores, andei, virei, mexi, afinal entrei numa vereda, subi a… Read More »

Uma canoa furada – Conto de Graciliano Ramos

Mestre Gaudêncio curandeiro, homem sabido, explicou uma noite aos amigos que a terra se move, é redonda e fica longe do sol umas cem léguas. — Já me disseram isso, murmurou Cesária. Das Dores arregalou os olhos, seu Libório espichou o beiço e deu um assobio de admiração. O cego preto Firmino achou a distância… Read More »

Um missionário – Conto de Graciliano Ramos

— Depois da morte do louro, referiu Alexandre, Cesária começou a aperrear-me pedindo outro. Eu me encafifei: — “Onde é que vou arranjar isso, filha de Deus? Que arrelia!” Mas Cesária não me largava de mão: — “Xandu, veja se me descobre um parente dele. Raça boa não falha, Xandu.” — “Está bem, está bem.”… Read More »