Category Archives: Monteiro Lobato

O fígado indiscreto – Conto de Monteiro Lobato

Que há um Deus para o namoro e outro para os bêbados está provado — a contrario sensu. Sem eles, como explicar tanto passo falso sem tombo, tanto tombo sem nariz partido, tanta beijoca lambiscada a medo sem maiores consequências afora uns sobressaltos desagradáveis, quando passos inoportunos põem termo a duos de sofá em sala… Read More »

Bocatorta – Conto de Monteiro Lobato

A quarto de légua do arraial do Atoleiro começam as terras da fazenda de igual nome, pertencente ao major Zé Lucas. A meio entre o povoado e o estirão das matas virgens dormia de papo acima um famoso pântano. Pego de insidiosa argila negra fraldejado de velhos guaiambés nodosos, a taboa esbelta cresce-lhe à tona, viçosa na folhagem eréctil que as brisas tremelicam.

O bom marido – Conto de Monteiro Lobato

Enquanto a mulher morria no trabalho, com oito filhos à cola, Teofrasto, o bom marido, procurava emprego. Teofrasto Pereira da Silva Bermudes. Magro, alto, arcado, feio. Bigodeira, orelhas cabanas, pastinha na testa. Dona Belinha casara-se contra a vontade dos seus, movida, quem sabe, menos de amor que de dó. Apiedou-a a humildade romântica de Téo,… Read More »

O rapto – Conto de Monteiro Lobato

Sou oculista. Dentre tantas especialidades abertas ao anel de pedra verde, barafustei pela oftalmologia, movido de nobres razões sentimentais. Lutar contra a noite, arrebatar presas à treva: poderá existir profissão mais abençoada? Assim pensei, e jamais me arrependi de o ter pensado. Minha melhor paga nunca foi o dinheiro ganho em troca dos milagres da… Read More »

O suplício de Tântalo – Conto de Monteiro Lobato

Desde as primeiras horas da manhã, o palácio onde morava Tântalo, rei da Lídia, estava num rebuliço. Não era para menos, pois seu pai, Júpiter, deus dos deuses, estava prestes a chegar para um amigável almoço. Além dele, viriam também seu inseparável filho Mercúrio e Ceres, a de usa da fertilidade.