Category Archives: Poesia

De como não ler um poema – Mario Quintana

Há tempos me perguntaram umas menininhas numa dessas pesquisas, quantos diminutivos eu empregara no meu livro A rua dos cata-ventos. Espantadíssimo, disse-lhes que não sabia. Nem tentaria saber, porque poderiam escapar-me alguns na contagem. Que essas estatísticas, aliás, só poderiam ser feitas eficientemente com o auxílio de robôs. Não sei se as menininhas sabiam ao… Read More »

Conto familiar – Mario Quintana

Era um velho que estava na família há noventa e nove anos, há mais tempo que os velhos móveis, há mais tempo até que o velho relógio de pêndulo. Por isso estava ele farto dela, e não o contrário, como poderiam supor. A família o apresentava aos forasteiros, com insopitado orgulho: “Olhem! vocês estão vendo… Read More »

Linguagem – Mario Quintana

Não sei que crítico notou que os grandes humoristas escrevem clássico. Um exemplo, entre nós: o velho Machado de Assis. Mas não será isso porque os autores clássicos adquirem, forçosamente, com o tempo, um toque de humor? Um toque que decerto não era deles e que reside para nós, seus pósteros, no tom cada vez… Read More »

Estrela – Cecília Meireles

Quem viu aquele que se inclinou sôbre palavras trémulas, de relêvo partido e de contôrno perturbado, querendo achar lá dentro o rôsto que dirige os sonhos, para ver si era o seu que lhe tivessem arrancado? Quem foi que o viu passar com sues ímãs insones, buscando o polo que girava sempre no vento? —… Read More »