Category Archives: Poesia

Não te esqueças de mim – Fagundes Varela

Não te esqueças de mim, quando erradia Perde-se a lua no sidéreo manto; Quando a brisa estival roçar-te a fronte, Não te esqueças de mim, que te amo tanto. Não te esqueças de mim, quando escutares Gemer a rola na floresta escura, E a saudosa viola do tropeiro Desfazer-se em gemido de tristura. Quando a… Read More »

Instruções de Bordo – Ana Cristina Cesar

Pirataria em pleno ar. A faca nas costelas da aeromoça. Flocos despencando pelos cantos dos lábios e casquinhas que suguei atrás da porta. Ser a greta, o garbo, a eterna liu-chiang dos postais vermelhos. Latejar os túneis lua azul celestial azul. Degolar, atemorizar, apertar o cinto o senso a mancha roxa na coxa: calores lunares,… Read More »

Protuberância – Ana Cristina Cesar

Este sorriso que muitos chamam de boca É antes um chafariz, uma coisa louca Sou amativa antes de tudo Embora o mundo me condene Devo falar em nariz(as pontas rimam por dentro) Se nos determos amanhã Pelo menos não haverá necessidades frugais nos espreitando Quem me emprestar seu peito ma madrugada E me consolar, talvez… Read More »

Relíquia íntima – Soneto de Machado de Assis

Ilustríssimo, caro e velho amigo,Saberás que, por um motivo urgente,Na quinta-feira, nove do corrente,Preciso muito de falar contigo. E aproveitando o portador te digo,Que nessa ocasião terás presente,A esperada gravura de patenteEm que o Dante regressa do Inimigo. Manda-me pois dizer pelo bombeiroSe às três e meia te acharás postadoJunto à porta do Garnier livreiro:… Read More »

A Serenata – Poema de Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerâniosele viria com boca e mãos incríveistocar flauta no jardim.Estou no começo do meu desesperoe só vejo dois caminhos:ou viro doida ou santa.Eu que rejeito e exprobroo que não for natural como sangue e veiasdescubro que estou chorando todo dia,os cabelos entristecidos,a pele assaltada de indecisão.Quando ele vier, porque… Read More »

O fim das coisas – Augusto dos Anjos

Pode o homem bruto, adstrito à ciência grave, Arrancar, num triunfo surpreendente, Das profundezas do Subconsciente O milagre estupendo da aeronave! Rasgue os broncos basaltos negros, cave, Sôfrego, o solo sáxeo: e, na ânsia ardente De perscrutar o íntimo da orbe, invente A lâmpada aflogística de Davy! Em vão! Contra o poder criador do Sonho… Read More »