Category Archives: Paulo Mendes Campos

Réquiem para os bares mortos – Crônica de Paulo Mendes Campos

Me perdia muito pelas grutas sombrias dos bares. À noite, conchas iluminadas, a ressoar em profundezas submarinas. Hoje sou um homem derramado. Fugindo à tempestade, entrei uma vez no Nacional, e lá se erguia – portentosa figura – um velho, alto e cavo, a recitar os sonetos de Mallarmé. Foi uma visão dura, hermética, definitiva.… Read More »

A aurora – Crônica de Paulo Mendes Campos

A aurora chegou vestida de cor-de-rosa, passou pela vidraça, passou através de minhas pálpebras, acordou meus olhos. Mas não me acordou a alma, que ficou dorme-dormindo, boba e semi-iluminada. Depois ela, a aurora, foi esvoaçar sobre os telhados, e era como se aquilo estivesse acontecendo no passado. Meus olhos ficaram expiando aquela aurora doida que… Read More »

Meu reino por um pente – Crônica de Paulo Mendes Campos

Filhos – diz o poeta – melhor não tê-los. Já o Professor Aníbal Machado me confiou gravemente que a vida pode ter muito sofrimento, o mundo pode não ter explicação alguma, mas, filhos, era melhor tê-los. A conclusão parece simples, mas não era; Aníbal tinha ido às raízes da vida, e de lá arrancara a… Read More »

Declaração de males – Crônica de Paulo Mendes Campos

Ilmo. Sr. Diretor do Imposto de Renda. Antes de tudo devo declarar que já estou, parceladamente, à venda. Não sou rico nem pobre, como o Brasil, que também precisa de boa parte do meu dinheirinho. Pago imposto de renda na fonte e no pelourinho. Marchei em colégio interno durante seis anos mas nunca cheguei ao… Read More »