Tag Archives: Poema de Adélia Prado

A Serenata – Poema de Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerâniosele viria com boca e mãos incríveistocar flauta no jardim.Estou no começo do meu desesperoe só vejo dois caminhos:ou viro doida ou santa.Eu que rejeito e exprobroo que não for natural como sangue e veiasdescubro que estou chorando todo dia,os cabelos entristecidos,a pele assaltada de indecisão.Quando ele vier, porque… Read More »

Briga no beco – Adélia Prado

Encontrei meu marido às três horas da tardecom uma loura oxidada.Tomavam guaraná e riam, os desavergonhados.Ataquei-os por trás com mãos e palavrasque nunca suspeitei conhecer.Voaram três dentes e gritei, esmurrei-os e gritei,gritei meu urro, a torrente de impropérios.Ajuntou gente, escureceu o sol,a poeira adensou como cortina.Ele me pegava nos braços, nas pernas, na cintura,sem me… Read More »

Bilhete em Papel Rosa – Poema de Adélia Prado

A meu amado secreto, Castro Alves. Quantas loucuras fiz por teu amor, Antônio. Vê estas olheiras dramáticas, este poema roubado: “o cinamomo floresce em frente ao teu postigo. Cada flor murcha que desce, morro de sonhar contigo”. Ó bardo, eu estou tão fraca e teu cabelo tão é negro, eu vivo tão perturbada, pensando com… Read More »

Com licença poética – Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.… Read More »