Romantismo – Artur Azevedo

I – Então, Rodolfo, decididamente, não te casas com a viúva Santos? – Nem com ela, nem com outra qualquer. E peço-lhe, meu pai, que não insista sobre esse ponto, para poupar-lhe o desgosto de contrariá-lo. O casamento assusta-me; é a destruição de todos os sonhos, o aniquilamento de todas as ilusões. Deixe-me sonhar ainda. … Ler mais

A Marcelina – Conto de Artur Azevedo

I Naquele tempo (não há necessidade de precisar a época) era o doutor Pires de Aguiar o melhor freguês da alfaiataria Raunier e uma das figuras obrigatórias da rua do Ouvidor. Como advogado diziam-no de uma competência um pouco duvidosa, o que aliás não obstava que ele ganhasse muito dinheiro, – mas como janota- força … Ler mais

Caiporismo – Conto de Artur Azevedo

– Oh! Secundino! – Oh! Borges! – Tu no Rio de Janeiro! – Há oito dias. – Vieste a passeio? – Não, meu amigo; vim tocado pela desgraça. – Pela desgraça? – “Desgraça” é talvez forte demais. Pelo caiporismo, se quiseres. – E és tão caipora assim? – Pertenço ao número dos tais que caem … Ler mais

A Água de Janos – Conto de Artur Azevedo

I O tenente de cavalaria Remígio Soares teve a infelicidade de ver uma noite dona Andréa num camarote do teatro Lucinda, ao lado do seu legítimo esposo, e pecou, infringindo impiamente o nono mandamento da lei de Deus. A “mulher do próximo”, notando que a “desejavam”, deixou-se impressionar por aquela farda, por aqueles bigodes e … Ler mais

O Velho Lima – Conto de Artur Azevedo

A Fricinal Vassico O velho Lima, que era empregado – empregado antigo – numa da nossas repartições públicas, e morava no Engenho de Dentro, caiu de cama, seriamente enfermo, no dia 14 de novembro de 1889, isto é, na véspera da proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil. O doente não considerou a moléstia … Ler mais

A doença do Fabrício – Conto de Artur Azevedo

O Fabrício era amanuense numa repartição pública, e gostava muito da Zizinha, filha única do Major Sepúlveda. O seu desejo era casar-se com ela, mas para isso era preciso ser promovido porque os vencimentos de amanuense não davam para sustentar família. Portanto, o Fabrício limitava-se à posição de namorado, esperando ansioso o momento em que … Ler mais

Pobres liberais! – Conto de Artur Azevedo

Foi no tempo do Império. O notável político Dr. Francelino Lopes, sendo presidente de uma província cujo nome não mencionarei para não ofender certas suscetibilidades, aliás mal entendidas, resolveu, aquiescendo ao desejo dos chefes mais importantes do partido conservador (era o que estava de cima), fazer uma grande excursão por todo o interior da província, … Ler mais

Uma aposta – Conto de Artur Azevedo

Se o Simplício Gomes não fosse um rapaz do nosso tempo, se não usasse calças brancas, paletó de alpaca, chapéu de palha e guarda-chuva, daria idéia de um desses quebra-lanças que só se encontram nos romances de cavalaria. De outro qualquer diríamos: “Ele gostava da Dudu”; tratando-se, porém, do Simplício Gomes, empregaremos esta expressão menos … Ler mais

O viúvo – Artur Azevedo

Na véspera de partir para a Europa, o doutor Claudino, sem prever o fúnebre espetáculo de que ia ser testemunha, foi despedir-se do seu velho camarada Tertuliano. Ao aproximar-se da casa, ouviu berreiro de crianças e mulheres, e a voz de Tertuliano, que dominava de vez em quando o alarido geral, soltando, num tom estrídulo … Ler mais