Romantismo – Artur Azevedo

I – Então, Rodolfo, decididamente, não te casas com a viúva Santos? – Nem com ela, nem com outra qualquer. E peço-lhe, meu pai, que não insista sobre esse ponto, para poupar-lhe o desgosto de contrariá-lo. O casamento assusta-me; é a destruição de todos os sonhos, o aniquilamento de todas as ilusões. Deixe-me sonhar ainda. … Ler mais

Como o diabo as arma – Artur Azevedo

O Sr. Paulino era o marido mais irrepreensível desta cidade em que são raríssimos os maridos irrepreensíveis; entretanto (vejam como o diabo as arma!), um dia foi morar mesmo defronte da casa onde ele morava, na Rua Frei Caneca, uma linda mulher, que lhe deu volta ao miolo. Apesar de casado com uma senhora ainda … Ler mais

A Viúva do Estanislau – Conto de Artur de Azevedo

Por ocasião da morte do marido, aquele pobre Estanislau, que, depois de uma luta horrível, foi afinal vencido pela tuberculose, Adelaide parecia que ia também morrer. Dizia-se que ela amava tanto o marido, que fizera o possível para contrair a moléstia que o matou e acompanhá-lo de perto no túmulo. Emagreceu a olhos vistos, e … Ler mais

A Conselho do Marido – Conto de Artur de Azevedo

Estamos a bordo de um grande paquete da Messagéries Maritimes, em pleno Atlântico, entre os dois hemisférios. Dois passageiros, que embarcaram no Rio de Janeiro, um de quarenta e outro de vinte e cinco anos, conversam animadamente, sentados ambos nas suas cadeiras de bordo. – Pois é como lhe digo, meu amiguinho! – dizia o … Ler mais

A Marcelina – Conto de Artur Azevedo

I Naquele tempo (não há necessidade de precisar a época) era o doutor Pires de Aguiar o melhor freguês da alfaiataria Raunier e uma das figuras obrigatórias da rua do Ouvidor. Como advogado diziam-no de uma competência um pouco duvidosa, o que aliás não obstava que ele ganhasse muito dinheiro, – mas como janota- força … Ler mais

Caiporismo – Conto de Artur Azevedo

– Oh! Secundino! – Oh! Borges! – Tu no Rio de Janeiro! – Há oito dias. – Vieste a passeio? – Não, meu amigo; vim tocado pela desgraça. – Pela desgraça? – “Desgraça” é talvez forte demais. Pelo caiporismo, se quiseres. – E és tão caipora assim? – Pertenço ao número dos tais que caem … Ler mais

A Água de Janos – Conto de Artur Azevedo

I O tenente de cavalaria Remígio Soares teve a infelicidade de ver uma noite dona Andréa num camarote do teatro Lucinda, ao lado do seu legítimo esposo, e pecou, infringindo impiamente o nono mandamento da lei de Deus. A “mulher do próximo”, notando que a “desejavam”, deixou-se impressionar por aquela farda, por aqueles bigodes e … Ler mais

O Velho Lima – Conto de Artur Azevedo

A Fricinal Vassico O velho Lima, que era empregado – empregado antigo – numa da nossas repartições públicas, e morava no Engenho de Dentro, caiu de cama, seriamente enfermo, no dia 14 de novembro de 1889, isto é, na véspera da proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil. O doente não considerou a moléstia … Ler mais

A doença do Fabrício – Conto de Artur Azevedo

O Fabrício era amanuense numa repartição pública, e gostava muito da Zizinha, filha única do Major Sepúlveda. O seu desejo era casar-se com ela, mas para isso era preciso ser promovido porque os vencimentos de amanuense não davam para sustentar família. Portanto, o Fabrício limitava-se à posição de namorado, esperando ansioso o momento em que … Ler mais

Pobres liberais! – Conto de Artur Azevedo

Foi no tempo do Império. O notável político Dr. Francelino Lopes, sendo presidente de uma província cujo nome não mencionarei para não ofender certas suscetibilidades, aliás mal entendidas, resolveu, aquiescendo ao desejo dos chefes mais importantes do partido conservador (era o que estava de cima), fazer uma grande excursão por todo o interior da província, … Ler mais