Fascínio – Millor Fernandes

No centro, os dois pequenos buracos se abrindo num promontório, embaixo do qual outro buraco, um pouco maior, no sentido horizontal, ao abrir, mostra o brilho ocasional de retângulos de esmalte claro, quase branco. Em cima duas contas brilhantes, cor verde-cinza, capazes de um movimento rápido e inesperado. Riscos em volta, uns mais profundos, outros … Ler mais

A causa da chuva – Fábula de Millôr Fernandes

Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos. Uns diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam a uma conclusão. – Chove só quando a água cai do teto do meu galinheiro, esclareceu a galinha. – Ora, que bobagem! disse o sapo de … Ler mais

O Rei dos Animais – Fábula de Millôr Fernandes

Saiu o leão a fazer sua pesquisa estatística, para verificar se ainda era o Rei das Selvas. Os tempos tinham mudado muito, as condições do progresso alterado a psicologia e os métodos de combate das feras, as relações de respeito entre os animais já não eram as mesmas

E o seu nível de corrupção, como vai? – Crônica de Millôr Fernandes

Dizem por ai que todo homem tem seu preço. Há quem vá mais longe afirmando que alguns homens são vendidos a preço de banana. Sempre esperei, na vida, o dia da Grande Corrupção, e confesso, decepcionado, que ele nunca veio. A mim só me oferecem causas meritórias, oportunidades de sacrifício, salvações da Pátria ou pura … Ler mais

Ladrões e como tratá-los – Crônica de Millôr Fernandes

Amigo meu surpreendeu um ladrão em casa. Desceu pé ante pé a escada e acendeu a luz da sala, rapidamente. O ladrão, ao ver a luz acesa, saiu correndo. Passou pela porta, saltou um muro, ganhou a rua. Meu amigo correu atrás do ladrão até a porta da rua e, para garantir-se da fuga do … Ler mais

Ser Gagá – Crônica de Millôr Fernandes

Ser Gagá não é viver apenas nos idos do passado: é muito mais! É saber que todos os amigos já morreram e os que teimam em viver, são entrevados. É sorrir, interminavelmente, não por necessidade interior, mas porque a boca não fecha ou a dentadura é maior do que a arcada. Ser Gagá é ficar … Ler mais

Poeminha de louvor ao “strip-tease” secular – Millôr Fernandes

Eu sou do tempo em que a mulher Mostrar o tornozelo Era um apelo! Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernas De mulher Sem saia; Mas foi na praia! A moda avança A saia sobe mais Mostra os joelhos Infernais! As fazendas Com os anos Se fazem mais leves E surgem figurinhas Em roupas transparentes … Ler mais

O leão e o rato – Fábula de Millôr Fernandes

Depois que o Leão desistiu de comer o rato porque o rato estava com espinho no pé (ou por desprezo, mas dá no mesmo), e, posteriormente, o rato, tendo encontrado o Leão emvolvido numa rede de caça, roeu a rede e salvou o Leão (por gratidão ou mineirice, já que tinha que continuar a viver … Ler mais

Chapeuzinho Vermelho – Conto de Millôr Fernandes

Era uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho. (Esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo). Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste … Ler mais