Aconteceu na Suécia – Crônica de José Carlos Oliveira

O sorriso é, geralmente, muito bem aceito em sociedade. A menos quando não há razão para estar alegre e a pessoa abre um meio sorriso, sardônico, voltairiano. Esse sorriso da inteligência, marca dos espíritos privilegiados, às vezes ofende; quase sempre inquieta. Já o riso é a explosão do sorriso. O sistema nervoso central se descontrola … Ler mais

O drama do marido baixo – Crônica de José Carlos Oliveira

Ontem, ao voltar do trabalho, cumpri como sempre o meu ritual vespertino. Tirei o paletó, afrouxei a gravata, preparei uma dose de uísque, sentei-me na cadeira de balanço e comecei a bebericar o divino fortificante escocês. Essa cerimônia cotidiana me faz bem. Gosto de estar assim, nessa hora, bebendo e contemplando minha mulher, Heloísa, que … Ler mais

Adão e Eva – Crônica de José Carlos Oliveira

Relendo velhos textos, observo que a todo instante me preocupa uma única situação. A solidão do homem, a solidão da mulher. Não a solidão dos homens, do gênero humano: do homem com relação à mulher e vice-versa. Suspeito que o momento supremo da nossa aventura ocorreu quando o Senhor Deus exorbitou de suas funções, por … Ler mais

O recém-casado – crônica de José Carlos Oliveira

Encontro um velho companheiro de farras: — Estou indo para a Cidade — diz ele. — Agora estou trabalhando no setor imobiliário. Olha o meu dedo. (Mostra-me a aliança no anular esquerdo.) Casei. É, casei. Você lembra como a gente brigava. Pois é, mas acabamos casando. Ninguém sabe como é isso; depois do casamento, não … Ler mais

Aquele Natal – crônica de José Carlos Oliveira

No dia 24 de dezembro, há dez anos (tinha eu dezoito), preparei-me tranqüilamente para passar o Natal em solidão. Chegara ao Rio em setembro. Depois do período natural de dificuldades que todo provinciano atravessa, começara a trabalhar numa revista. E agora estava ali, na redação, terminando de escrever uma reportagem e pensando nas ruas festivas, … Ler mais

Psicologia do Torcedor – crônica de José Carlos Oliveira

Acompanhei o jogo ao lado de meu primo Robertinho. Encostado num carro, em frente ao Café e Bar Silva Cruz (Posto 6), Robertinho ouvia a partida num rádio de pilha, fazendo comentários que achei quase tão interessantes quanto a dramática luta da seleção brasileira contra a do Peru: — Zero a zero. O negócio não … Ler mais