Como os pavões andassem em época de muda, uma gralha teve a idéia de aproveitar as penas caídas.
– Enfeito-me com estas penas e viro pavão!
Disse e fez. Ornamentou-se com as lindas penas de olhos azuis e saiu pavoneando por ali a fora, rumo ao terreiro das gralhas, na certeza de produzir um maravilhoso efeito.
Mas o trunfo lhe saiu às avessas. As gralhas perceberam o embuste, riram-se dela e enxotaram-na à força de bicadas.
Corrida assim dali, dirigiu-se ao terreiro dos pavões pensando lá consigo:
– Fui tola. Desde que tenho penas de pavão, pavão sou e só entre pavões poderei viver.
Mau cálculo. No terreiro dos pavões coisa igual lhe aconteceu. Os pavões de verdade reconheceram o pavão de mentira e também a correram de lá sem dó.
E a pobre tola, bicada e esfolada, ficou sozinha no mundo. Deixou de ser gralha e não chegou a ser pavão, conseguindo apenas o ódio de umas e o desprezo de outros.
Amigos: lé com lé, cré com cré.
De MONTEIRO LOBATO?!!!!!! Esta fábula é de Esopo!!! Basta googlar!
La Fontaine também conta esta fábula e, antes dele e depois de Esopo, Fedro. Esopo, Fedro e La Fontaine contaram-na em versos; Lobato, na prosa do século XX. Na edição de 1960, é o volume 15 das obras infantis.