Category Archives: Caio Fernando Abreu

Os sapatinhos vermelhos – Conto de Caio Fernando Abreu

Para Silvia Simas – Dançarás ― disse o anjo. ― Dançarás com teus sapatos vermelhos. . Dançarás de porta em porta.. Dançarás, dançarás sempre. Andersen, “Os sapatinhos vermelhos” Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina – ela repetiu olhando-se bem nos olhos, em frente ao espelho.… Read More »

O dia que Urano entrou em Escorpião – Conto de Caio Fernando Abreu

(Velha história colorida) Para Zé e Lygia Sávio Teixeira e para Lucrécia (Luc Ziz ou César Esposito) Estavam todos mais ou menos em paz quando o rapaz de blusa vermelha entrou agitado e disse que Urano estava entrando em Escorpião. Os outros três interromperam o que estavam fazendo e ficaram olhando para ele sem dizer… Read More »

Adagio sostenuto – Conto de Caio Fernando Abreu

Quando acordou, o sol já não batia no terraço, o que trocado em miúdos significava algo assim como mais-de-duas-da-tarde. Tinha tomado três comprimidos, um pela manhã, outro pelo almoço, outro antes de dormir, só que juntos ― e o gosto persistia na boca. Strawberry, pensou, e quis então como antigamente ouvir outra vez os Beatles,… Read More »

Ao simulacro da Imagerie – Conto de Caio Fernando Abreu

Lo que importa es la no-ilusión. La mañana nace. Frida Kahlo, Diários O céu tão azul lá fora, e aquele mal-estar aqui dentro. Fora: quase novembro, a ventania de primavera levando para longe os últimos maus espíritos do inverno, cheiro de flores em jardins remotos, perfume das primeiras mangas maduras, morangos perdidos entre o monóxido… Read More »

Aconteceu na Praça XV – Conto de Caio Fernando Abreu

Como uma personagem de Tânia Faillace: os restos da escassa dignidade do dia apodreciam entre o cheiro de pastéis, os encontrões e os ônibus da Praça XV. Não era uma personagem de ninguém, embora às vezes, mais por comodismo ou para não sentir-se desamparado como obra de autor anônimo, quisesse achar que sim. Mas à… Read More »

Corujas – Conto de Caio Fernando Abreu

Para meus pais Zaél e Nair e meus irmãos José Cláudio, Luiz Felipe, Márcia e Cláudia Tinham um olhar dentro, de quem olha fixo e sacode a cabeça, acenando como se numa penetração entrassem fundo demais, concordando, refletidas. Olhavam fixo, pupilas perdidas na extensão amarelada das órbitas, e concordavam mudas. A sabedoria humilhante de quem… Read More »