Tag Archives: Conto de Caio Fernando Abreu

Os sapatinhos vermelhos – Conto de Caio Fernando Abreu

Para Silvia Simas – Dançarás ― disse o anjo. ― Dançarás com teus sapatos vermelhos. . Dançarás de porta em porta.. Dançarás, dançarás sempre. Andersen, “Os sapatinhos vermelhos” Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina – ela repetiu olhando-se bem nos olhos, em frente ao espelho.… Read More »

O dia que Urano entrou em Escorpião – Conto de Caio Fernando Abreu

(Velha história colorida) Para Zé e Lygia Sávio Teixeira e para Lucrécia (Luc Ziz ou César Esposito) Estavam todos mais ou menos em paz quando o rapaz de blusa vermelha entrou agitado e disse que Urano estava entrando em Escorpião. Os outros três interromperam o que estavam fazendo e ficaram olhando para ele sem dizer… Read More »

Ao simulacro da Imagerie – Conto de Caio Fernando Abreu

Lo que importa es la no-ilusión. La mañana nace. Frida Kahlo, Diários O céu tão azul lá fora, e aquele mal-estar aqui dentro. Fora: quase novembro, a ventania de primavera levando para longe os últimos maus espíritos do inverno, cheiro de flores em jardins remotos, perfume das primeiras mangas maduras, morangos perdidos entre o monóxido… Read More »

Aconteceu na Praça XV – Conto de Caio Fernando Abreu

Como uma personagem de Tânia Faillace: os restos da escassa dignidade do dia apodreciam entre o cheiro de pastéis, os encontrões e os ônibus da Praça XV. Não era uma personagem de ninguém, embora às vezes, mais por comodismo ou para não sentir-se desamparado como obra de autor anônimo, quisesse achar que sim. Mas à… Read More »

Uma história de Borboletas – Conto de Caio Fernando Abreu

André enlouqueceu ontem à tarde. Devo dizer que também acho um pouco arrogante de minha parte dizer isso assim – enlouqueceu -, como se estivesse perfeitamente seguro não só da minha sanidade mas também da capacidade de julgar a sanidade alheia. Como dizer então? Talvez: André começou a comportar-se de maneira estranha, por exemplo? ou… Read More »

Fragmentos disso que chamamos de “minha vida” – Conto de Caio Fernando Abreu

Há alguns anos. Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou… Read More »

Existe sempre uma coisa ausente – Conto de Caio Fernando Abreu

Paris — Toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela,… Read More »