Category Archives: Nelson Rodrigues

É chato ser brasileiro – Crônica de Nelson Rodrigues

“O povo já não se julga mais um vira-latas. Sim, amigos: — o brasileiro tem de si mesmo uma nova imagem. Ele já se vê na generosa totalidade de suas imensas virtudes pessoais e humanas.” Dizem que o Brasil tem analfabetos demais. E, no entanto, vejam vocês: — a vitória final, no Campeonato do Mundo,… Read More »

O ex-covarde – Texto de Nelson Rodrigues

Entro na redação e o Marcelo Soares de Moura me chama. Começa: — “Escuta aqui, Nélson. Explica esse mistério.” Como havia um mistério, sentei-me. Ele começa: — “Você, que não escrevia sobre política, por que é que agora só escreve sobre política?” Puxo um cigarro, sem pressa de responder. Insiste: — “Nas suas peças não… Read More »

A mulher das bofetadas – Conto de Nelson Rodrigues

Chegou atrasado no emprego. Tirava o paletó, quando o Carvalhinho veio avisar: — Olha, telefonaram pra ti. — Homem ou mulher? — Mulher. — Deixou recado? — Não. Disse que telefonava depois. Arregaçando as mangas, bufou: — OK! OK! Uns dez minutos depois, estava pondo em ordem uns papéis, quando o telefone bate novamente. O… Read More »

Cansada de ser fria – crônica de Nelson Rodrigues

Quando o irmão apareceu na porta do escritório, perguntou: — Qual é o drama? E Gervásio, arriando na cadeira: — Preciso muito falar contigo. Apanha um cigarro. — Fala! Então, já com os olhos cheios de lágrimas, o outro pede: — “Primeiro, fecha a porta”. Felipe sente que o irmão está arrasado. Surpreso, levanta-se e… Read More »

Quem Morre Descansa – conto de Nelson Rodrigues

Ela batia à máquina quando Norberto apareceu. Fez a pergunta: — Pode-se bater um papinho contigo? — Quando? — Depois do serviço? — OK. E onde? Ele vacilou: “Olha, eu te espero naquele bar da esquina”. Julinha, com o coração disparado, balbuciou: “Eu estarei lá. Batata”. E não trabalhou mais direito. Findo o expediente, correu… Read More »

Um Caso Perdido – crônica de Nelson Rodrigues

A princípio, a família foi contra: — Esse sujeito não presta! É um bestalhão! Um conversa-fiada! Talvez fosse isso e muito mais. Para começar não trabalha­va, nem queria nada com o trabalho. Além disso, bebia, jogava, vivia metido com desclassificados de ambos os sexos, em pago­des espetaculares. Apontava-se, mesmo, uma fulana, de péssimos antecedentes, que,… Read More »